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Vaivém paulista

Quantas vezes na vida você ouviu falar em "nada como um dia depois do outro"? Perdeu a conta? Eu também. A origem do provérbio se dissipa no tempo, mas não é que ele continua atual? No futebol, aí estão Corinthians e São Paulo para confirmar a sabedoria popular e mostrar que situações, boas ou ruins, não são duradouras. O primeiro até recentemente andava na maior badalação, com conquista de taça aqui e ali. O outro apanhava mais do que boi ladrão. De uma hora para outra inverteram o astral.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2013 | 02h08

O momento de ambos chama a atenção, mas parto com o São Paulo, para dar tom otimista à crônica, já que é segunda-feira e fica chato começar a semana pra baixo. A turma tricolor se descabelava com as derrotas seguidas, o medo do descenso tirava o sono de muita gente e fazia a alegria dos rivais. Alguns gaiatos sugeriam que são-paulinos passassem a estudar roteiros alternativos para viagens pelo Brasil da Série B em 2014. Feia a situação, com vexame atrás de vexame.

Dois técnicos caíram, jogadores e dirigentes foram xingados, pontos ficaram pelo caminho até Muricy desembarcar no Morumbi. Em uma semana não mudou de maneira radical a forma de a equipe jogar - seriam demagogia e cascata das grossas fazer tal afirmação. Mas, na base do "aqui é trabalho, meu filho!", fez ajustes e devolveu a confiança para os atletas, bons fluidos que se estenderam para as arquibancadas.

Num passe de mágica (que não tem nada de magia, é só figura de linguagem meio batida), o São Paulo entrou numa correria danada e ficou mais fechado do que a Coreia do Norte. O sistema defensivo funcionou diante de Ponte e Vasco, Ganso acordou, Jadson deu sinal de vida, Rodrigo Caio marcou um gol, Antonio Carlos se firmou na zaga, Rogério Ceni está sereno. Enfim, equilíbrio. Ok, Rafael Toloi continua atrapalhado, Osvaldo saiu de órbita e Luis Fabiano precisa ser ligado no 200.

Nem tudo é perfeito - e o São Paulo está longe de ter virado um primor. No entanto, obtém resultados, gênero de primeira necessidade para quem tenta tirar o pé da lama. Os seis pontos ganhos em duas rodadas não significam, ainda, a salvação; para tanto, serve sequência sólida de vitórias. Porém safaram o grupo da zona de degola. Com aspecto a ressaltar: não jogou feio em São Januário, não apelou para botinadas ou catimba e criou chances de gol. Desempenho normal, o que já denota lucro diante da penúria anterior.

Pode-se ressalvar que a qualidade dos rivais não entusiasma, não mesmo: Ponte e Vasco alugaram vagas no Z-4. Isso demonstra a importância de não vacilar. Se o São Paulo caísse diante deles, se complicava de vez. Muricy tem de repetir a estratégia de acumular pontos nos duelos com a turma do subsolo e incomodar os de cima. Só assim subirá degraus. Há tempo.

Por falar em pasmaceira, o Corinthians não toma jeito. A mesmice contaminou Tite e a rapaziada dele. Que atuação sem graça ontem no Pacaembu, meu são Jorge querido! Os campeões do mundo parecem ter desaprendido a abafar e a surpreender. Estão previsíveis além da conta, mereceram os 2 a 1 para o Goiás.

Os corintianos pararam de jogar. Não se trata de má vontade, mas de repertório esgotado. As jogadas são sempre as mesmas, até os erros de finalização e as substituições. Tite se aferrou a uma fórmula, e não abre mão dela. Coerência, no caso, seria mudar, arriscar algo novo, quebrar a rotina. A questão é saber se há disposição geral para uma guinada.

O Corinthians travou na frente de um oponente aplicado, chegou à quarta partida sem vencer, viu aumentar a distância para o bloco principal e levou vaias da Fiel, fato raro nos últimos dois anos e meio. Jogadores não rendem, Paulinho faz falta danada. Até Jorge Henrique...

Não entro na onda de pedir a cabeça de Tite - ele teve méritos na fase de ouro, assim como tem falhas agora. Deve já iniciar processo de reformulação, e desconfio que serão abertas vagas no Parque São Jorge assim que as férias de dezembro chegarem.

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