Valdivia: ''Meu relacionamento com Felipão não é bom nem ruim''

Meia ignora discurso politicamente correto, expõe insatisfação com algumas atitudes da diretoria e fala abertamente que ligação com técnico é só 'profissional'

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

O meia Valdivia deu poucas entrevistas em 2010, quando voltou ao Palmeiras depois de disputar a Copa do Mundo na África. No sétimo dia de 2011, o chileno falou. E mais uma vez mostrou personalidade ao dizer que sua relação com Luiz Felipe Scolari é apenas profissional e não liga para os comentários de Wlademir Pescarmona, diretor de futebol.

Os últimos meses não foram nada bons para o jogador chileno. Com lesão na coxa esquerda, ele pouco jogou - e quando foi escalado sempre saiu machucado durante as partidas. A relação piorou no fim do ano, quando o atleta se negou a assinar uma carta de recomendações para as férias - se descumprisse o combinado, teria de pagar uma multa de 40% do salário, de acordo com o documento. Descontente, reclamou da postura da diretoria e até de Felipão. Segundo o meia, o técnico o teria obrigado a jogar mesmo machucado, o que só agravou a lesão.

Valdivia ontem não fugiu das perguntas e, como é de seu feitio, deixou o discurso politicamente correto de lado. Fosse qualquer outro jogador que agisse da mesma maneira, talvez o resultado seria outro. Uma pena, uma multa, uma bronca, talvez. Não com o chileno, que custou mais de R$ 13 milhões (boa parte bancada por um investidor) e fechou contrato de cinco temporadas.

Ao contrário do que disse há poucas semanas, quando ameaçou ir embora se estivessem descontente com ele, Valdivia seguirá no Palmeiras. Seguirá por "amor ao clube". Como ele mesmo disse, sua relação com Felipão não é das melhores. "Não é bom nem ruim, é profissional. Eu faço minha parte, ele faz a dele. Se melhorar, tudo bem. Caso contrário, tudo continuará da mesma maneira. Temos de pensar no clube", declarou.

O Mago lembrou de seu primeiro treinador no Palmeiras, Caio Júnior, em 2007. "Meu relacionamento com ele (Felipão) é diferente do que eu tinha com o Caio, que era de amizade", falou. "A relação não é boa 100%, não é ruim também. É normal. É ele que manda, não há problema."

Pescarmona é outro no clube por quem Valdivia não tem nenhum agrado. O diretor de futebol, aliás, não é bem visto no elenco, por suas atitudes. No ano passado, o cartola chegou a reclamar do grupo, e recebeu as críticas de volta.

Agora, Pescarmona avisou que não procuraria o jogador para tentar se acertar. "Ouvi dizer que ele não quer falar mais comigo. Não vou chorar, não me interessa", avisou.

Nova dupla? O torcedor palmeirense sonhava ver em campo a dupla Valdivia/Ronaldinho Gaúcho. Tem espaço para os dois no time? "Se o Ronaldinho vier, vai jogar ele. É simples. Se não tiver espaço para os dois, ele joga", garantiu o chileno, oferecendo até a camisa 10 para o craque gaúcho e enumerando motivos para ele aceitar a proposta do Palmeiras. "Ele tem de vir aqui para jogar comigo. O Luxemburgo (técnico do Flamengo) é muito chato, o Grêmio tem a Libertadores e ele vai ficar muito cansado, pois são muitos jogos", brincou. "Ele tem de ajudar o Palmeiras a conquistar títulos."

Quase pronto. Valdivia diz ainda não estar 100% bem fisicamente, mas garante que consegue estar junto do grupo na estreia do Estadual, no dia 15, contra o Botafogo, no Pacaembu.

A expectativa no clube, aliás, é de que o atleta esteja em campo no jogo-treino contra o Juventus, na terça-feira, e no amistoso de quarta contra o XV, em Piracicaba.

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