Valdivia recebe aumento para ficar

Tirone promete ao meia 30% de acréscimo em seu salário para ele não sair após sofrer com [br]forte pressão da torcida

Daniel Batista e Paulo Galdieri, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2011 | 00h00

Preocupado com a pressão que iria receber da torcida por se desfazer de um dos principais jogadores do time em pleno Campeonato Brasileiro, o presidente Arnaldo Tirone resolveu tomar uma decisão surpreendente. Vai dar um aumento para Valdivia ficar no clube.

O acordo foi selado na noite de quarta-feira. O jogador comunicou ao presidente que estava indo embora porque a proposta do Al Sadd, do Catar, era irrecusável. Tirone estava decidido a vendê-lo, mas, pressionado por torcedores, que chegaram até a ameaçá-lo, convenceu o Mago a ficar oferecendo 30% de aumento de salário.

"Ele vai ficar com a gente. Conversei ontem à noite (quarta-feira) e resolvemos que o correto é ele continuar. É melhor o Valdivia ficar para não ter mais confusão", disse o presidente. "Todo mundo quer bater no Valdivia e falar que ele tem que sair, mas nós confiamos nele."

O Al Sadd iria pagar os 8,25 milhões (R$ 15,1 milhões) pedidos pelo Palmeiras, que ficaria com 5,5 milhões (R$ 12,9 milhões) e o restante (R$ 2,2 milhões) iria para o Al Ain (ex-clube do chileno).

Para sacramentar sua permanência no Palmeiras, Valdivia deve dar uma entrevista coletiva hoje e fazer mais juras de amor ao clube, como fez ontem em entrevista para as rádios Bandeirantes e Estadão/ESPN. E no acordo foi acertado que tanto o jogador como o presidente não vão admitir publicamente o aumento, para evitar mais críticas.

O fim da novela sobre sua saída teve como grande vencedor o chileno, que ganhou boa parte do moral perdido perante os torcedores, após dizer que fica por gostar do clube.

Se alguns torcedores e o próprio jogador estão dando pulos de alegria com o desfecho do negócio, o mesmo não se pode dizer da maioria dos dirigentes e da comissão técnica.

Quebra-cabeça financeiro. O departamento financeiro do clube, por exemplo, vai ter de se virar para conseguir quitar as dívidas, inclusive com o banco Banif, para o qual o Palmeiras deve 8,5 milhões (R$ 19,5 milhões), e ainda conseguir dinheiro para o aumento.

O vice-presidente financeiro, Walter Munhoz, tentou minimizar, mas admitiu que contava com o acordo. "Claro que esse dinheiro vai fazer falta. Não sou do futebol, mas tenho de acreditar que a permanência do Valdivia será boa."

Felipão também não gostou. Valdivia deve fazer no máximo mais dez jogos pelo Palmeiras na temporada. Ele se recupera de uma lesão na coxa direita que sofreu durante o amistoso do Chile contra a Espanha e ainda pode ser convocado para a seleção para quatro amistosos até novembro.

Apesar de ter dado aumento para o chileno, Tirone não quer perder a oportunidade de fazer negócio mais para a frente. Ele pediu para que os representantes do Al Sadd voltem a procurá-lo no final do ano para tentar um acordo.

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