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Antero Greco
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Valdivia, sempre ele

O Valdivia é o tipo de sujeito que não passa em branco. Titular absoluto da categoria de boleiros que viram assunto sempre, até quando não jogam - ou principalmente em tais ocasiões. Agora, por exemplo, está quieto com a seleção do Chile, que faz amistoso hoje com o Iraque, lá na Dinamarca, e não sai do noticiário por aqui. O motivo mais recente para colocá-lo em evidência surgiu no instante em que recebeu o terceiro amarelo no jogo em que o Palmeiras ganhou do Paraná, sábado, pela Série B nacional.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h02

Só para clarear algum distraído, reconto o caso. No fim de semana, o rapaz forçou a advertência, que o levou à suspensão automática e, por consequência, o tirou da partida de ontem com o Joinville, em Santa Catarina. Era o que pretendia, pois não entraria mesmo em campo por estas bandas impedido pelo compromisso com o país dele. Tratou de ser prático, como virou praxe para adequar-se ao calendário.

Aliás, só aqui acontece dessas: tem data Fifa, a seleção se apresenta em nova etapa de preparação para o Mundial, mas as competições não param. Clubes e jogadores se viram do jeito que dá, para completarem as tarefas, e não há cobrança para a CBF. Os dirigentes focam (chique, né?) na amarelinha.

Valdivia, no entanto, cometeu erros. O mais grave de todos foi o de abrir o bico: em entrevista ao SporTV, durante a semana, admitiu que tentaria a punição, para voltar zerado. Ao conseguir a reprimenda - enrolou para deixar o gramado ao ser substituído -, mostrou aquele sorrisão de satisfação. Só faltou cumprimentar o árbitro camarada.

Na sequência, o presidente do tribunal esportivo soube da malandragem e acenou com a possibilidade de denúncia, julgamento e pena severa. O crime do moço? Conduta antidesportiva, ora pois! Trata-se de acinte revoltante. Valdivia pode pegar gancho de até 10 rodadas, castigo raramente imposto a atletas que descem a botina ou o braço e dão cusparadas nos adversários.

Valdivia pecou pela sinceridade (e presunção). Tarimbado como é, não entendeu ainda que em sociedade a hipocrisia tem mais aceitação do que a verdade. Pode simular pênalti, pode fingir que levou canelada, pode fazer cera, pode enganar o árbitro de muitas maneiras. Só não pode avisar antes.

O episódio provocou até comentário no mínimo curioso. Emerson Sheik disse pra turma do Bem, amigos, na noite de segunda-feira, que Valdivia não teve comportamento profissional correto. Gostaria de saber do astro do Corinthians o que pensa sobre morder a mão de zagueiro em decisão de campeonato. Ele tem experiência no assunto.

E, ironia final: Valdivia será poupado do amistoso de hoje por "fadiga muscular". Eu não disse no início da crônica que o chileninho não sai de cena?

Seleção em ação. Felipão e pupilos embicam na longa e decisiva reta para o Mundial. A contagem regressiva é fato e não lugar-comum. Toda oportunidade para exames precisa ser aproveitada, de preferência com sparrings de qualidade. A Suíça é média.

A base da equipe se consolidou com a conquista da Copa das Confederações e chegou o momento de o treinador optar por observações e ajustes até obter a formação ideal. Pelo visto, seguirá essa receita, pelo que se depreende da entrevista de ontem, na qual avisou que o time terá modificações - não necessariamente de nomes, mas de estratégia. Faz bem testar alternativas táticas.

Sufoco tricolor. O destino da seleção adiante mexerá com o país. O torcedor, no momento, se interessa pra valer da sorte das respectivas paixões pessoais, e eternas. A 14.ª rodada tem largada logo mais, com bons desafios. O Santos, por exemplo, recebe o Vasco e tem de decidir se engrena ou empaca. O Corinthians visita um Fluminense instável, e pode acelerar para atingir o topo em breve. Tensão total fica para amanhã, no Morumbi, onde o São Paulo pega o Atlético-PR. A angústia tricolor corre risco de aumentar diante de um rival invicto há oito jogos. Perigo!

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