Vale tudo contra a Alemanha

Derrota para a Grécia põe Brasil diante do forte time liderado por Nowitzki. Só a vitória mantém sonho olímpico

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2008 | 00h00

Aconteceu o previsto. A seleção brasileira masculina de basquete já esperava uma derrota para a forte seleção da Grécia no Pré-Olímpico Mundial e isso, de fato, ocorreu. Mas o que incomodou o técnico Moncho Monsalve foi a maneira como a equipe se comportou na partida vencida com facilidade pelos donos da casa (89 a 69). A diferença de 20 pontos foi além do que o espanhol imaginava. Dificuldades na defesa, ansiedade na hora de definir bolas e a perda de equilíbrio de jogo. Problemas que, segundo Moncho, não podem acontecer no decisivo duelo contra a Alemanha, amanhã, na busca das três últimas vagas para a Olimpíada de Pequim."A verdade é que só jogamos basquete por 10 minutos", avaliou o treinador, referindo-se ao consistente primeiro período da equipe brasileira, quando todos os seis lances livres, por exemplo, foram convertidos, e o Brasil terminou a etapa apenas um ponto atrás do adversário (18 a 17).No segundo quarto, o Brasil perdeu a concentração e entrou no jogo da Grécia. "Foi incrível como eles nos mataram com a defesa", surpreendeu-se Moncho. "Eles vieram com uma defesa agressiva, jogando no limite das faltas, e nós não soubemos fazer as nossas jogadas", lamentou o pivô Tiago Splitter, cestinha da partida com 20 pontos. O Brasil, então, perdendo muitas bolas e sem poder utilizar o armador Marcelinho Huertas, já com quatro faltas, deixou a vantagem grega aumentar para 10 pontos.Os brasileiros acham que o trio de arbitragem sentiu a pressão do ginásio lotado e acabou favorecendo um pouco os gregos, que contaram c om apoio maciço da torcida - a Arena Olímpica estava com seus 20 mil lugares quase totalmente preenchidos, com ingressos que variavam de 20 a 60. "O ginásio cheio, na partida contra os donos da casa, pode ter mudado um pouco as decisões dos árbitros", disse o capitão Alex Garcia, que encerrou a partida também com quatro faltas. "Não concordamos com algumas decisões e acho que algumas faltas marcadas foram desnecessárias", acrescentou o pivô Ricardo Probst.Amanhã, contra a Alemanha, o Brasil terá seu jogo-chave na competição. Só a vitória mantém as chances de classificação para Pequim. "Estamos aqui para vencer três dos nossos cinco jogos", lembrou Probst. Moncho fez questão de lembrar que apenas com a regularidade e a força dos primeiros dez minutos de ontem é que será possível chegar à segunda vitória na competição.INTOXICAÇÃOMoncho afirmou que gostaria de conversar com o presidente da CBB, Gerasime Bozikis, a respeito da alimentação da equipe brasileira. Três atletas tiveram problemas estomacais - Tiago Splitter, no sábado, Alex Garcia e Baby durante e após o jogo contra o Líbano. Quanto à mudança de cardápio, não há nada o que fazer, disse o treinador. "Acho incorreto, mas infelizmente todas as 12 equipes estão hospedadas no mesmo hotel e comem no serviço de buffet. É algo da Federação Internacional, não há nada que se possa fazer agora."

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