Vale-Tudo: Wanderlei conquista o Japão

O maior ídolo do vale-tudo no Japão também será astro de cinema. Wanderlei Silva, de 27 anos, bicampeão mundial do Pride, evento profissional em que se enfrentam lutadores de todas as modalidades, estará nas telas dos cinemas japoneses ainda este ano. "É o reconhecimento pelo meu trabalho, que me levou a ser um verdadeiro ?superstar? naquele país", afirmou o paranaense, de Curitiba, sem falsa modéstia.Alguns números comprovam a fama do brasileiro. As lutas de Wanderlei atingem, em média, 40 pontos de audiência na tevê japonesa. Cada combate que participa tem 30 milhões de assinantes pelo sistema pay-per-view e de 60 mil a 90 mil espectadores nos ginásios. O boneco da sua miniatura já vendeu 300 mil unidades no país, a US$ 30 cada. Wanderlei está invicto há 18 lutas, o que lhe rende premiações de até US$ 300 mil por apresentação, sem contar os inúmeros comerciais em que apareceu - de telefones celulares a macarrão instantâneo. "Tudo aconteceu naturalmente, porque quando comecei minha carreira, o vale-tudo praticamente não existia", lembra.O início de Wanderlei no mundo das lutas foi semelhante ao de muitos garotos. "Comecei a treinar, aos 13 anos, porque era feio, baixinho, gordo, tímido e não arrumava namorada", conta. "As pessoas que caçoavam de mim, na infância, se tornaram meus maiores fãs."Há quatro anos, os organizadores do Pride assistiram a uma fita de vídeo com lutas de Wanderlei e o convidaram para atuar no Japão. "A adaptação foi dura, desde o primeiro combate só enfrentei adversários difíceis." A projeção chegou em maio de 2001, quando derrotou o japonês Sakuraba, chamado de ?exterminador de brasileiros?, por nocaute, em 1?38". "Fui manchete em todos os jornais do país. Até hoje, estão procurando alguém para me vencer."Na vida particular, porém, Wanderlei, de 1m80 e 97 Kg, é uma pessoa pacata. "Fora dos ringues, não misturo as coisas", diz. Religioso, é casado com Téa Amanda e tem dois filhos, Rafaela, de 7 anos, do primeiro casamento, e Thor Davi, de 8 meses "Ele também será lutador. Estou esperando apenas ele aprender a andar para começar a treiná-lo."A preparação para cada luta - são quatro, no máximo, por ano - é feita em Curitiba e São Paulo e dura dois meses. Pratica muai-thai, jiu-jitsu, nada, corre e faz musculação. Seu próximo desafio será em maio, contra o japonês Iuki Kondo, em Tóquio. Além de manter o título mundial, tem em vista projeto bem mais ambicioso: conquistar o mercado norte-americano. "Já tenho muitos fãs nos Estados Unidos, mas o Pride ainda pode crescer muito mais, principalmente se boxeadores como o Mike Tyson migrarem para o vale-tudo."Quanto ao filme, que estará em cartaz a partir de setembro em Tóquio, e em Las Vegas, em agosto, Wanderlei interpreta um personagem chamado Morte, que desafia o ator principal em um combate. "Aí não teve jeito: perco a luta final, porque o vilão nunca ganharia do mocinho", brinca.

Agencia Estado,

30 de março de 2004 | 09h41

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