Valor da poupança

Lembra quando diziam que quem guarda tem? Se não me engano, era alguma propaganda de poupança de décadas atrás. Pois a mensagem publicitária se mostra atual para o Corinthians. O líder do Brasileiro enfileirou nove vitórias e um empate, em dez rodadas, acumulou 28 pontos e disparou na ponta. O retrospecto formidável fez com que não se alterasse a folga na liderança, mesmo com a derrota para o Cruzeiro.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

A fase anda tão boa para Tite e turma que concorrentes diretos também tropeçaram, o que fez com que ninguém se aproximasse. São Paulo e Flamengo vacilaram no sábado, com empates, e o Palmeiras deu sua contribuição com a derrota para o Flu. Não há muito o que lamentar do o a 1 e o fim da invencibilidade.

Mas há lições para o treinador aproveitar. Uma delas é a de que Alex logo cavará lugar. O meia entrou no segundo tempo, quando o Cruzeiro já estava em vantagem, deu velocidade e sopro de inteligência na criação. O técnico também deve torcer por retorno breve de Liedson ou pela recuperação de Adriano, pois Emerson funciona para abrir espaços, mas talvez não é a melhor referência na área.

A maior constatação, porém, fica para o fato de que precisa encontrar saídas para marcação forte. Joel Santana foi ardiloso ao exigir que alguns de seus jogadores atuassem como sombras de Willian, Jorge Henrique e Danilo. Anulados os três, o Corinthians manteve alto índice de posse de bola, porém estéril.

O Cruzeiro teve o mérito de resistir à pressão no início, até com abuso de faltas. Soube aproveitar uma das raras chances que criou (no belíssimo gol de Wallyson), desdobrou-se após a expulsão acertada de Gilberto e pôde reclamar pênalti não marcado a seu favor, num lance de Ramon na etapa final.

A fórmula para segurar o líder foi revelada pelo Cruzeiro. Cabe a Tite encontrar o antídoto. De preferência agora que a poupança do time ainda está polpuda.

Fita velha. Sabe aqueles filmes que vira e mexe passam na televisão? Na linha de A paixão de Cristo, na Semana Santa?Pois é. A sensação de repeteco foi inevitável, ao ver o Palmeiras perder para o Fluminense, por 1 a 0, em Volta Redonda, estádio com gramado que é um atentado ao bom senso e à saúde dos atletas.

Havia esperança de que o Palestra deslanchasse, com o retorno de Valdivia, que enfim se juntou a Kleber e Maikon Leite, supostamente os mais beneficiados com seus passes. Que nada! O chileno teve atuação discreta, como os outros dois, e saiu antes do final do clássico.

O time paulista jogou pouco, perdeu por 1 a 0 (ainda foi beneficiado por gol do Fluminense absurdamente anulado), tem 19 pontos e deixou no ar a impressão de que mais uma vez vai limitar-se a desempenhar o papel de coadjuvante na Série A. Como tem sido praxe.

Até quando vai durar esse calvário?! Quem será o Cristo que vai descer da cruz para resgatar a história alviverde?

Enfim, futebol. Não foi só o Uruguai quem venceu, com os 3 a 0 sobre o Paraguai, na decisão da Copa América. Saiu por cima o próprio futebol, que apanhou mais do que boi ladrão no campeonato e se recuperou com a proeza de Suares, Forlán e companheiros. Seria uma aberração se uma equipe que chegou à final apenas com empates (cinco seguidos!) fizesse a festa do título. Fomos poupados dessa. Ufa!

Mestre Telê. Nem toda efeméride chama a atenção. Mas há uma, amanhã, que pede registro obrigatório. Num 26 de julho, 80 anos atrás, nascia Telê Santana, cidadão de Itabirito e do mundo. Acompanhei de perto a fase madura da carreira dele, no período em que atuou no Palmeiras, na seleção e no São Paulo, do fim dos anos 1970 ao início dos 90. Fora de série.

Telê era prático, sem sofisticação em conceitos táticos. Ainda assim, um inovador. Adorava treinos com bola, ensaiava times à exaustão, ensinava fundamentos para os jogadores. Batia na bola como poucos. E, como raros, mereceu ser chamado de Mestre. Às vezes ranzinza, era talentoso contador de histórias e de piadas. Sabia armar conjuntos harmoniosos, gostava de jogo ofensivo, amava fair-play.

A última vez que me emocionei como seleção foi em 1982. Eu o vi ser aplaudido de pé, por jornalistas de várias partes do mundo, após a derrota para a Itália na Copa de 82. Aqui, oportunistas de plantão o chamaram de pé-frio. Telê faz falta ao futebol.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.