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Antero Greco
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Vamos ao que interessa

A seleção jogou ontem contra a Coreia do Sul, em Seul, nessa doideira itinerante em que se transformou desde que a CBF vendeu para um grupo árabe o direito de levá-la para onde bem entender. Amistoso sem graça, em que venceu por 2 a 0 e no qual Neymar, para variar, se destacou, fez um gol e recebeu golpes de tudo quanto foi jeito.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h08

Ok, perfeito, foi outra etapa para Felipão observar os rapazes que defenderão o Brasil no Mundial do ano que vem. Em situação normal, os avaliaria por aqui mesmo, sem o desgaste de ir tão longe. Porém, como o que conta são os dólares, lá vai a tropa para a China pegar a Zâmbia...

Isto posto, vamos ao que interessa, como diria aquele locutor clássico, indiferente a qualquer assunto que não dissesse respeito ao futebol doméstico. E o que vale para o público local, agora, é o destino das equipes na Série A. Situação do Cruzeiro à parte - o título é questão de um punhado de semanas -, sobram indefinições, e a tendência é a de que se arrastem até as rodadas finais.

Uma briga boa está marcada para o Morumbi, no enésimo São Paulo x Corinthians. A situação é tão estapafúrdia que, a depender do resultado, o atual campeão do mundo pode colar no bloco principal, desde que vença, ou encostar com perigo na turma do desespero. Para tanto, basta que perca.

Veja você em que se meteu o Corinthians pela falta de apetite para o ataque e predileção por empates. De 0 a 0 e de 1 a 1 enfileirados, a moçada de Tite acumulou 36 pontos, apenas três a mais do que o São Paulo. No entanto, se terminarem a 28.ª rodada com pontuação idêntica, a vantagem será tricolor por número de vitórias (seriam 10 contra 8). Na prática, Muricy Ramalho e pupilos subiriam um pouco e botariam pressão enorme do lado de lá.

Hipótese maluca? Não é. No meio da semana, cravei que o São Paulo tinha condições de surpreender o Cruzeiro e que o Corinthians poderia se encalacrar com o Atlético-PR. Na mosca: um ganhou e outro empatou. Nem se tratou de exercício de futurologia ou chutômetro, só bom senso e retrospecto, que às vezes prevalecem no futebol.

Os dois andam esquisitos pra chuchu, e prognóstico seco vira convite pra quebrar a cara. O São Paulo ensaia reação, daí emperra, para em seguida ressurgir. Não se sabe quando dará espetáculo ou pisará na bola. O Corinthians vem numa lengalenga de fazer dormir o insone mais renitente, com joguinho repetitivo e zero de criatividade e ousadia. Os 12 empates são resumo fiel do momento insosso que atravessa. Se ficar na igualdade hoje, não surpreenderá nem o mais pessimista.

O São Paulo tem Rogério Ceni e Luis Fabiano de volta. Em contrapartida, perde Ganso, que arrasou no meio da semana, talvez na melhor apresentação no Brasileiro. No mais, Muricy apela para o pessoal que tem entrado em campo, com nada de extraordinário - se bem que, a esta altura, a torcida se satisfaz com permanência na elite, veja só!

O Corinthians recorre aos habituais Ralf, Danilo, Romarinho, Emerson, Guerrero, mosqueteiros que um ano atrás se preparavam para a conquista do mundo. Não há perna de pau entre eles, mas deixaram de jogar. Uma agonia ver como murcharam de uns tempos para cá. Passam a sensação de aguardar o fim da temporada para se reciclarem - creio que vários deles o farão longe do Parque São Jorge. Não os esnobo, longe disso, porque sabem brincar com a bola e numa dessas despertam justamente hoje, só para contrariar.

Bom, fiquei em que pé mesmo? Ah, sim. Comecei com olhar favorável ao São Paulo, depois ponderei a respeito da capacidade dos corintianos saírem da letargia. Isso significa que me inclino a... mandar triplo aí.

Tendência semelhante à dos clássicos Atlético-MG x Cruzeiro (já imaginou a segunda derrota em seguida do líder?) e Botafogo x Flamengo. Não se pode confiar nem no Criciúma, que recepciona o Vasco. E o Atlético-PR, se vacilar, toma rasteira da Portuguesa. Aliás, taí o paulista que mais surpreende - garantia de emoção e placar movimentado.

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