Vamos com calma!

Mano Menezes tem feito grande esforço para reduzir o entusiasmo externo com a seleção e a pressão pelo ouro

MATEUS SILVA ALVES, ENVIADO ESPECIAL / SAINT ALBANS, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h07

A atuação da seleção brasileira contra a Grã-Bretanha, na sexta-feira, não foi brilhante, e Mano Menezes sabe disso. Tanto que ele apontou vários problemas de seu time, como a falta de ritmo e o excesso de individualismo de alguns jogadores (leia-se Neymar). Ainda assim, o clima de otimismo que cerca a equipe é enorme e boa parte da torcida e da imprensa está convencida de que o Brasil não terá nenhum adversário complicado na Olimpíada. Pois o gaúcho agora está fazendo um esforço enorme para jogar centenas de baldes de água fria nesse entusiasmo todo.

Um exemplo desse esforço: como a seleção que disputará os Jogos é praticamente a equipe principal do Brasil, não falta quem diga que jamais o País conseguiu formar um time olímpico tão cheio de talento. O treinador já repetiu várias vezes que não concorda com essa ideia.

"Eu não acho que esta seja a melhor geração olímpica que o Brasil já teve", opinou ele logo depois da partida de sexta-feira. "O Brasil já levou equipes muito boas para edições anteriores da Olimpíada, só não conseguiu ganhar'', completou Mano, com a clara intenção de reduzir a pressão sobre seus jogadores.

A pressão, aliás, é um assunto que tira o treinador do sério. Ele detesta quando ouve jornalistas ou torcedores martelarem a ideia de que o Brasil tem a obrigação de ser campeão simplesmente porque nunca venceu essa competição. Assim como não gosta quando dizem que essa é a melhor geração olímpica que o Brasil já teve ou que o time brasileiro é muito superior a todos os outros que estão nos Jogos.

"Eu tenho ouvido muito essa história da pressão pelo ouro, mas isso não existe. A pressão sobre esse time não é maior do que a pressão que a seleção Brasileira sempre sofre'', argumentou o gaúcho. "Esse time que está aqui não tem nada a ver com as equipes do Brasil que não ganharam o ouro.''

Na sexta-feira, uma jornalista espanhola perguntou a Mano o que ele pensa da seleção olímpica da Espanha e se deseja enfrentá-la na decisão dos Jogos. Educadamente, o treinador deixou a moça sem respostas. Ele não quer de jeito nenhum deixar no ar a sensação de que não dá muita importância aos primeiros adversários do Brasil. Aliás, Mano gosta de dizer que repete sempre para seus jogadores que é necessário pensar em um jogo por vez. "Eu sempre digo a eles que ninguém começa um torneio como campeão. Acho muito importante eles saberem que precisam pensar jogo a jogo.''

Esperto como é, Mano sabe que expectativas exageradas podem gerar uma decepção gigantesca em caso de eliminação dos Jogos, o que colocaria sua cabeça a prêmio. Por isso ele se esforça tanto para diminuir a cobrança sobre seus jogadores, apesar de saber que a tarefa é dificílima. Talvez mais difícil do que conquistar o ouro vencendo os seis jogos no torneio de goleada.

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