Vanderlei divide vitória com "coelho"

O Brasil continua brilhando no esporte mundial. Hoje, foi a vez de o País figurar no lugar mais alto do pódio nas categorias masculina e feminina da VIII Maratona Internacional de São Paulo. Com uma estratégia bem feita pela equipe Pão de Açúcar, Vanderlei Cordeiro de Lima, estreante em corridas de longa distância no estado, acabou com a hegemonia queniana na prova - venceram as últimas três competições - e, de quebra, bateu o recorde da prova. Percorreu os 42.195 metros em 2h11min19, 4 minutos e 6 segundos à frente de Elijah Korir, do Quênia e 3 minutos e 11 abaixo do antigo recorde, de Stephen Rugut, em 2001. Maria Zeferina Baldaia também baixou a marca da competição, fez o percurso em 2h36min07, e provou ser a ?rainha? de São Paulo, ao conquistar a tríplice coroa. Antes, havia sido a melhor na Corrida de São Silvestre, em dezembro e na Prova Aniversário de São Paulo, em janeiro. Além dos adversários e do frio de 10 graus, ambos competidores tiveram de superar lesões que os ameaçavam de não disputar a corrida. "Minha preparação (eram 12 semanas, mas só treinou 8) foi prejudicada por uma perfuração que tive na panturrinha em um acidente doméstico", informou Vanderlei. "Ainda bem que meus músculos (está com tendinite na coxa esquerda) só começaram a doer agora", disse Zeferina, após a prova. A prova começou com o surpreendente marroquino, Ghanmouni Rachid, de 24 anos, dando pinta de que ele seria o grande nome da maratona. Por 28 quilômetros, liderou a prova, sem ser ameaçado pelo segundo colocado - terminou em sexto. Em seu encalço, um grupo com os temíveis quenianos - Elijah Korir, Joseph Kamau e David Kiptoo, além do brasileiro Israel dos Anjos. Vanderlei e o companheiro Daniel Lopes Ferreria, uma espécie de ?coelho?, que serviu para ditar o ritmo de ambos, faziam prova técnica, detalhada antes. Vieram progredindo ao longo do percurso e, aos poucos, superando os rivais. Até assumirem a liderança no 28.º Km. Arrancada - Um cumprimento entre os parceiros e a disparada de Vanderlei à conquista. Chegou ao Parque do Ibirapuera, fazendo aviãozinho, com a bandeira do Brasil entre os braços. Ao cruzar a chegada, o sinal da cruz. "Esta vitória não é minha, é nossa (equipe). E 50% dela é do Daniel," disse o exausto campeão, que, além do troféu, recebido da prefeita Marta Suplicy, embolsou um cheque de R$ 27.750 mais um carro 0 Km, premiação identica ao feminino. A banda da Guarda Civil Metropolitana tocou o hino nacional. Mas havia espaço para um desabafo. "Provei que também corro bem aqui no País." Vanderlei estava tão a vontade na maratona, que diminuiu seu ritmo no final. "Na reta de chegada, vinha pensando na minha família, principalmente meu pai, que não está mais com a gente. Isso me deu mais força", completou o medalha de ouro na Maratona nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999. Além de Vanderlei, outros dois brasileiros estiveram no pódio. Diamantino Silveira dos Santos, 3.º com 2h16min43, sua melhor marca na carreira e José Teles da Silva, 5.º com 2h17min29. Em quarto, o queniano Joseph Kamau, 2h17min07, que, ao cruzar o linha de chegada, sofreu uma queda, sofrendo escoriações no braço e joelho direito. "Foi gratificante, chegar entre os cinco é tudo que um atleta sonha numa competição internacional", falou Teles.

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