Vanderlei promete ajudar jovens

Maratonista se despede das pistas e agora pretende empenhar-se para incentivar carreiras de iniciantes

Bruno Deiro e Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

Vanderlei Cordeiro de Lima é brasileiro, sofredor e vencedor. Por consciência cívica, por amor ao esporte e por conhecer as dificuldades de quem pretende se firmar na vida promete liderar uma cruzada depois da última passada que deu ontem, na avenida Paulista, como atleta profissional. A partir de hoje, o ex-fundista, 39 anos, medalha de bronze na maratona dos Jogos de Atenas 2004, vai dedicar-se a revelar talentos para as pistas e a incentivá-los na carreira."Quero que os jovens atletas tenham melhores condições", afirmou Vanderlei, emocionado, ofegante, aplaudido pelo público, assim que cruzou a linha de chegada, ontem à tarde, depois de 52 minutos de corrida. "Condições que eu não tive no começo de minha carreira." Para tanto, planeja entregar-se ao trabalho de base. "Meu sonho é ajudar o Brasil a se torna uma potência olímpica."Vanderlei não acha que sua pretensão seja desvario. Com apoio, imagina, é possível vencer obstáculos. Ele toma sua trajetória como ponto de referência, sem que isso também signifique autoelogio. "Se hoje sou alguém na vida, foi por causa do esporte", destacou. "Outros podem seguir mesmo caminho. E quero ajudá-los."O desempenho de ontem foi aquém do auge da carreira, mas dentro do esperado para uma despedida. Nos 15 quilômetros do percurso, Vanderlei pôde notar que a popularidade continua em alta. Não lhe faltaram aplausos e muitos menos companhia. O tempo todo esteve cercado por atletas, na maioria anônimos que trataram de pegar carona no famoso que corria para a aposentadoria. "Foi mais uma manifestação de carinho", alegrou-se Vanderlei, que fez o "aviãozinho" (braços abertos balançando como asas), ao término da prova. Gesto que se tornou internacionalmente famoso no encerramento da maratona, na Grécia, depois de superar incidente provocado por um ex-padre irlandês, que o agarrou no meio do caminho, no momento em que liderava.Vanderlei não lembrou do episódio de Atenas como o mais marcante de sua carreira. A emoção da despedida, talvez, fez com que tenha se referido à São Silvestre como as etapas mais importantes. "Fiz questão de me despedir aqui, porque foi aqui que me projetei", afirmou. "Tive mais uma prova do grande carinho que o Brasil tem por mim", entusiasmou-se. "Por isso, agradeço o Brasil, minha família, meus patrocinadores, meu técnico (Ricardo D?Angelo)", enumerou. "Mas o maior orgulho é sair pela porta da frente."

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