Vantagem na abertura deve ser da Red Bull

Atual campeã desponta como favorita no GP da Austrália, amanhã de madrugada, com pista seca ou molhada

LIVIO ORICCHIO , ENVIADO ESPECIAL / MELBOURNE, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h03

O próprio Sebastian Vettel, da Red Bull, costuma dizer: "Nada menos de 300 quilômetros separam a largada da bandeirada numa corrida de Fórmula 1. E nesse deslocamento pode acontecer de tudo". No caso do GP da Austrália, às 3 horas da madrugada deste domingo, com TV Globo, mais ainda, por ser a primeira etapa do campeonato, as mudanças das condições meteorológicas deverão ser decisivas.

"Vejo Sebastian como favorito, não importa a condição", diz Niki Lauda, diretor da Mercedes. "Eles (Red Bull) ainda estão um passo à frente dos concorrentes." Na sexta-feira, no primeiro treino livre no circuito Albert Park, Vettel e o companheiro de equipe, Mark Webber, não precisaram exigir tudo do modelo RB9-Renault para impor significativa vantagem sobre os adversários, ao estabelecer o primeiro e segundo melhor tempo do dia.

Como o histórico de Vettel e da organização austríaca é de conquistas, afinal ganharam os três últimos campeonatos de pilotos e construtores, ambos deixaram no ar a mensagem de que são fortes candidatos a vencer pela quarta vez os dois mundiais. A começar por Melbourne.

"A previsão para as 58 voltas da corrida é de chuva e frio", diz Fernando Alonso, da Ferrari. "Estamos atrás da Red Bull, como prevíamos desde os treinos de inverno, mas no asfalto molhado as coisas tendem a se igualar." E lembrou: "No ano passado ninguém podia imaginar que venceríamos com aquele carro difícil ainda na segunda etapa. E acabei sendo primeiro na Malásia". Para o piloto da Ferrari, a chuva, se confirmada, pode trazer indefinições na prova.

"Mas se não chover, em condições normais, a Red Bull já mostrou dispor do melhor carro dessa fase. Seria uma surpresa vê-los não dominar o GP da Austrália", diz Alonso. A meteorologia indica existir 90% de chances de chuva durante a corrida.

Seu companheiro, Felipe Massa, o único brasileiro na F-1 neste ano, está otimista. "Em Barcelona, com pista molhada, o F138 (carro deste ano) mostrou-se eficiente, bem mais que o F2012", lembrou Massa. "E aqui, no asfalto seco, vejo a Ferrari com chances de chegar ao pódio."

As eventuais ameaças à vitória dos pilotos da Red Bull podem vir mais da Lotus do que qualquer outro time, se a corrida for no piso seco. A afirmação é do ex-piloto escocês Jackie Stewart, três vezes campeão do mundo. "Kimi (Raikkonen) e Grosjean (Romain) demonstraram sexta-feira nas séries de voltas seguidas que realizaram, para simular o GP, serem melhores que a Ferrari e a Mercedes", avalia. "O que tínhamos de melhor no modelo de 2012 foi preservado no deste ano, a constância durante a corrida", comentou Raikkonen.

O finlandês reconhece, como Alonso, a superioridade, ainda, da Red Bull, mas adverte: "Não penso que será como em 2011 quando ganharam tudo. Deveremos estar mais próximos deles nas provas e com boa estratégia podemos surpreendê-los". A confiabilidade do monoposto da Lotus, E21-Renault, parece ser o seu maior adversário. "Tive problemas no câmbio", explicou Grosjean, sexta-feira.

Outra equipe que cresceu foi a Mercedes. Lewis Hamilton e Nico Rosberg ratificaram a evolução sexta-feira, na simulação de corrida. "Aprendemos muito sobre como o carro funciona com pneus na temperatura normal", disse Rosberg. "O bom foi constatar que nosso bom desempenho em Barcelona, no frio, deve se repetir aqui. Avançamos em relação à Red Bull, a referência para todos."

A McLaren parece fora da luta nesse momento, por conta de ter optado por construir um carro bem diferente do usado no ano passado e necessitar de mais tempo para desenvolvê-lo.

Os pneus, felizmente para o espetáculo, podem vir a ser uma variável importante no resultado. "O desgaste até agora aqui na Austrália ficou dentro do esperado, bem diferente do que vimos na pré-temporada, por causa do frio. Acreditamos em três pit stops durante as 58 voltas, mas haverá quem possa tentar duas paradas", explicou Paul Hembery, diretor da Pirelli.

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