Vela: Adrianne indicará o caminho

Uma mulher indicará os caminhos com os melhores ventos para o veleiro Brasil 1, que vai ser colocado no mar nesta quinta-feira. A navegadora australiana Adrianne Cahalan, de 40 anos, é a única mulher dentre todos os tripulantes de todos os barcos que disputarão a Volvo Ocean Race, regata de volta ao mundo - a largada será em Sanxenxo, região da Galícia (ESP), em novembro, para oito meses de competição. Adrianne velejará sob o comando do bicampeão olímpico Torben Grael. Cresceu velejando na baía de Sydney, é formada em Direito, tem mestrado em Meteorologia, é pianista na Orquestra de Câmara de Sydney. Junta a habilidade de operar computadores e sistemas eletrônicos com a sensibilidade de interpretar dados meteorológicos à moda antiga. "São poucas as mulheres no mundo da vela. Mas conheço os velejadores. É como ter colegas de escritório", observa Adrianne, que não leva maquiagem para o barco (o excesso de bagagem é proibido) - carrega apenas protetor solar e hidratante. Adrianne também já disputou regatas longas só com mulheres. "A diferença para tripulações com homens é a força. Mas pessoas se comportam do mesmo jeito quando estão cansadas do mar, encharcadas, com frio, morrendo de fome e velejando." A regata Sydney-Hobart foi a primeira de Adrianne, aos 20 anos. Para o sexo frágil os desafios para sobreviver da vela são ainda maiores. "As incertezas sobre onde encontrar o próximo trabalho, viajar muito e passar tempo demais fora de casa são iguais. Mas não somos tão fortes quanto os homens e existem menos posições nos barcos que podemos ocupar." Na volta ao mundo, ajudará a manter o barco inteiro - num percurso com ventos fortes, ondas gigantes, icebergs e tempestades - e velejando rápido. "Minha função é analisar as previsões do tempo e os dados de performance do barco, juntar tudo e traçar a estratégia com o comandante. Também é importante saber navegar do jeito antigo, descobrir onde você está e qual a rota mais segura." Adrianne é advogada e já trabalhou num escritório. O Direito foi deixado de lado quando teve de escolher. Mas quando cansa de velejar, após grandes competições, como a Whitbread (93/94), a Júlio Verne (98) ou a Admiral?s Cup (99), atua como advogada. E até aí segue ligada ao esporte. "Envolvida com a vela, me especializei em lei marítima. Cuidei de casos de naufrágios e passageiros clandestinos." BATIZADO - O Brasil 1 será batizado nesta quinta-feira, às 14h30, na Marina da Glória, no Rio. A madrinha do veleiro será Ingrid Grael, mãe de Torben, que se considera dona de sete medalhas olímpicas (Torben tem cinco, Lars mais duas). A campanha custará US$ 15,8 milhões. O País nunca teve um barco nesse tipo de regata.

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