Veleiro Touchê tem novo desafio

Depois de 30 anos de mar, o velejador Ernesto Breda quer justificar o patrocínio do Banco Safra, o primeiro que conseguiu na longa carreira. Na quinta-feira à noite, em São Paulo, a equipe do veleiro "Touchê" recebeu o troféu transitório pela vitória na regata Eldorado/Brasilis, entre Vitória e Ilha de Trindade, que terminou no dia 2 de fevereiro com quebra de recorde. Dia 17 de março, em Angra dos Reis, outro desafio: o Campeonato Brasileiro de Vela Oceânica. "Começar o ano com duas vitórias consecutivas seria perfeito", diz. O "Touchê", veleiro de 44 pés construido em 1989, concluiu o percurso entre Vitória-Ilha de Trindade-Vitória em 181h49min, 54 horas a menos do que o "Albatroz", barco da Escola Naval que venceu a prova no ano passado. O "Touchê" abriu uma cômoda vantagem no primeiro quarto do percurso e administrou o resultado até o final, com uma vantagem de 12 horas ou cerca de 150 quilômetros sobre o "Quiricomba-Opportunity", o segundo colocado. Breda nem quis esperar pela entrega de troféus e voltou rápido para iniciar a preparação para o Brasileiro, com outro barco, o "Touchê Petit", um multimar de 32 pés. "O patrocínio aumentou a responsabilidade. Tenho 40 competições para disputar este ano", diz. Em 1975, Ernesto Breda venceu todas as regatas que disputou. "Repetir o feito seria fantástico. Mas o nível técnico está muito alto. A vela oceânica reune hoje o que há de melhor na vela. Tem o Mario Buckup, tem o Robert Scheidt, tem o Torben Grael e muitos outros. Os melhores velejadores de quase todas as classes também correm a Oceânica. É difícil", diz. O comandante Breda, administrador de empresas, reuniu os seis tripulantes para a entrega dos troféus no restaurante Rubayat, da Alameda Santos: o executivo Maurício Verdier, os médicos Marcos Caggiano e Marcelo Freitas, o fazendeiro Paulo Verdier e os arquitetos Marcos Leite Bastos e Luciano Graber. Há 12 anos velejando juntos, Breda acha que o trabalho de equipe é que assegura uma vitória. "Cada um sabe direito o que outro está fazendo. Não há desentendimentos. Fazemos turnos de duas horas, a cada quatro horas dormimos duas.Cozinhamos com água do mar e nos protegemos com filtro solar 50 e chapéu enterrado na cabeça. Estamos acostumados com isso", diz. Breda, entretanto, reconhece que esta foi a regata mais dura que já enfrentou. Mais do que a Cape Town-Rio que já disputou três vezes, duas com o mesmo "Touchê/Banco Safra". "Quatro dias com vento forte (25 nós ou 45 quilômetros), mar alto e curto. Era impressionante o que o barco batia", lembra. Para Maurício Vergier, a Eldorado/Brasilis é melhor do que a Buenos Aires/Rio. "Esta regata tem vento o tempo todo. Isso é ótimo", comenta o timoneiro e cozinheiro do "Touchê". João Lara Mesquita, diretor-executivo da Rádio Eldorado, Fernando Luigi, da empresa de eventos W60, responsável pela organização da Eldorado/Brasilis, entregaram os troféus e medalhas (o "Touchê" também venceu na categoria ORC) e já anunciaram a terceira edição da Eldorado/Brasilis, em 2002. "A largada deverá ser dia 18 ou 25 de janeiro", explica Plínio Romeiro, também da Rádio Eldorado. A cerimônia contou ainda com as presenças de Dionisyo Sulzbeck, presidente da Federação de Vela do Estado de São Paulo, e de João Roberto de Aguiar Jr, superintendente da Bradesco Seguros, patrocinadora oficial da regata. João Lara Mesquita, que também participou da prova com o veleiro "Mar Sem Fim/Globalstar" disse que a Rádio Eldorado continuará marcando sua presença com o apoio a todas as modalidades de esportes e aventuras. "O esporte brasileiro vai muito além do futebol", justificou.

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