Velejador brasileiro tenta façanha

Ser o primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo em um barco, navegando solitariamente, sem escalas, é um desafio que o empresário André Magalhães Homem de Mello está próximo de superar. O velejador, que iniciou sua viagem em Ilhabela no dia 30 de setembro do ano passado, espera completar o percurso de 34.220 km até março, depois de cinco meses e meio de viagem. Somente dois brasileiros conseguiram o feito, com escalas: Aleixo Belov e Amyr Klink.A viagem foi dividida em quatro etapas. A primeira, de 6.800 km, começou em Ilhabela e terminou no Cabo da Boa Esperança na África do Sul, uma das áreas de navegação mais difíceis do planeta. A segunda, a mais solitária, foi entre o Cabo da Boa Esperança e Cabo Leeuwin, na Austrália, um percurso de 14.250 km.A terceira parte da viagem, que Homem de Mello ainda não completou, começou na Austrália e vai até o Cabo Horn, no Chile (8.850 km). O último trecho, considerado a mais tranqüila vai do Cabo Horn até Ilhabela. Serão 4.320 km que deverão ser completados até o dia 16 de março. ?A realização deste sonho começou a tomar forma em 1995, quando me mudei para os Estados Unidos para estudar e aprender tudo sobre vela oceânica de cruzeiro.?O navegador, que nasceu em Campinas (SP), não é iniciante em viagens marítimas de longa distância. Em 1999, foi o único velejador a completar, sozinho, a rota de Pedro Álvares Cabral, entre Portugal e Brasil, em comemoração aos 500 anos de Descobrimento do País. Para a viagem de volta ao mundo, ele navega com um veleiro Island Packet de 35 pés (11 metros), com capacidade para sete passageiros.Banho de gato - Além das dificuldades de desgaste natural de peças importantes do equipamento como, por exemplo, as velas, Homem de Melo tem de enfrentar outras dificuldades. Segundo o velejador, o uso da água é racionado e a fração do banho diário corresponde a uma garrafa de refrigerante de dois litros. ?O banho só de água salgada não incomoda. Mas não vejo a hora de chegar numa latitude mais quente para poder tomar uns banhos de balde.?A distância da família foi resolvida com a ajuda da telefonia celular via-satélite Iridium e Nera. ?Toda semana falo com meu irmão para tratarmos de negócios e com a minha mãe para deixá-la mais tranqüila.? Em termos gerais, a viagem tem sido calma, o que não o impediu de levar um grande susto quando ?atropelou? uma baleia que dormia. ?O impacto foi enorme e a sorte foi não estar naquele momento em alta velocidade?, conta o velejador. ?Já houve casos similares de pessoas perderem o barco e até a vida em acidente igual.?

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