Vence Europa ou América?

Mesmo que os sul-americanos prevaleçam, a maioria dos jogadores atua na Europa

Luiz Zanin, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

Muito antes de terminar, a Copa da África já tem uma originalidade: pela primeira vez, desde o 1.º Mundial, chegam mais sul-americanos que europeus às quartas de final. E isso, é bom lembrar, porque na 1.ª Copa, realizada no Uruguai e vencida pela equipe da casa em 1930, foram várias as defecções europeias, que não quiseram se expor à longa viagem de então. Treze equipes participaram: 9 das Américas, apenas 4 da Europa.

São fatos da história das Copas. História que marca velha rivalidade entre a Europa e a América do Sul. Das 18 Copas, 9 foram para europeus, 9 para sul-americanos. Empate que será quebrado agora, a não ser que Gana saia campeã. Você apostaria? No seleto grupo que chega às quartas de final, há quatro sul-americanos, três europeus e só um africano. E nisso se resume o mundo ecumênico da Fifa. Essa rivalidade Europa-América do Sul vem sendo mantida ao longo dos 80 anos de história das Copas, com uma característica - os europeus vencem apenas em seu continente; os sul-americanos triunfam em casa e no resto do mundo. Perdem na Europa, com apenas uma exceção - o Brasil, que leva o seu primeiro título na Suécia em 1958.

A história das Copas caminha paralela a outras histórias, a dos povos, a da economia e a do próprio futebol. Num certo momento, essa oposição entre Europa e América do Sul era clara. A maior parte dos jogadores permanecia em seus países e assim estilos locais eram nítidos. Com a abertura econômica, a criação da União Europeia e a globalização do esporte, todo esse sistema foi posto em xeque. A Europa abriu seu mercado e passou a absorver craques de todo o mundo. Assim, mesmo que as seleções sul-americanas prevaleçam, deve-se lembrar que a maioria de seus jogadores atua em clubes europeus.

Não é tão fácil encontrar equipe europeia "puro sangue", de cintura dura, como as de antigamente. Nem uma equipe sul-americana cheia de ginga e criatividade. Os extremos aproximaram-se. Ficam os sul-americanos com algumas individualidades inimitáveis, para fazer a diferença. Por que a Espanha, que desclassificou Portugal, não é tão boa quanto o Barcelona? Porque é um Barcelona sem a magia de Messi. Por que o Brasil não é uma sólida seleção europeia? Porque tem no improviso de um Robinho (que, aliás, ainda não brilhou) o seu possível diferencial.

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