Diego Azubel/Efe
Diego Azubel/Efe

''Vencer Alonso é especial''

ENTREVISTA - LEWIS HAMILTON, Piloto da McLaren

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Se perguntassem no paddock da Fórmula 1 qual o piloto mais combativo em atividade, a maioria não hesitaria em responder: Lewis Hamilton. Seu arrojo, por vezes pueril, já lhe custou caro. No mesmo circuito onde amanhã, às 4 horas (horário de Brasília), disputa o GP da China, em Xangai, em 2007 praticamente perdeu o título mundial. "Hoje cometo menos erros. Menos erros bobos"", afirmou o piloto inglês, ontem, como que justificando o ocorrido há quatro anos, nessa entrevista ao Estado.

Hamilton deixa claro também, e de forma definitiva: "Sim, vencer Alonso e especial"". As rusgas entre ambos remontam ao período em que foram companheiros na equipe McLaren, em 2007. O jovem inglês permanece lá, chegou ainda criança, 6 anos, piloto de kart, enquanto Alonso está na Ferrari.

Domingo, na Malásia, Hamilton e Alonso foram punidos pela direção de prova por terem se chocado no fim da corrida. McLaren e Ferrari apresentaram desempenho semelhante nos treinos em Xangai, sugerindo que, amanhã, vão disputar as mesmas posições ao longo das 56 voltas da corrida, o que abre a perspectiva de outra batalha entre ambos, "como sempre"", na definição de Hamilton.

O alto staff da Mercedes, na época sócia da McLaren, viajou da Alemanha para a China a fim de provavelmente celebrar o título da equipe e do estreante histórico na Fórmula 1, Lewis Hamilton. Todos voltaram para casa decepcionados. O que mudou no piloto e no homem depois daquela difícil experiência?

Estou mais velho (26 anos). Hoje cometo menos erros. Menos erros bobos, comparados a 2007. Eu tinha apenas 23 anos, tomava as decisões com a emoção e não a experiência. Agora calculo melhor os riscos. Ano passado perdi também algumas provas por avaliar mal a situação. Toda temporada acrescenta. (Em 2007, saiu da pista na corrida de Xangai, dando chance a Kimi Raikkonen de ser campeão em Interlagos, na etapa seguinte.)

Em Sepang você se envolveu em outra disputa com Alonso. Se tocaram e os comissários puniram os dois. Você por fazer zigue-zague na frente e ele por não ter evitado o acidente. As lutas entre vocês parecem atiçar os ânimos de ambos.

Sim, vencer Alonso é especial. Mas, acredite, não estava pensando nisso até chegar aqui na China. Eu tentava mantê-lo atrás de mim e ele, me ultrapassar. É corrida, é isso o que as pessoas querem ver, não há nada de negativo. Agora, a FIA quer consistência nas regras, o que nós também cobramos, e para não deixar de punir num ano e no outro sim, decidiram punir os dois. Foi justo. Mas eu perdi pontos, Alonso, não. Não somos inimigos, apenas pilotos supercompetitivos. Sempre disse que o considero um dos melhores que existem aqui.

Lewis Hamilton é McLaren. É difícil para qualquer cidadão pensar em vê-lo fora da equipe que o formou, investiu para você chegar à F-1 e ser campeão do mundo.

Estou aqui desde os seis anos. Meu coração e desejo é permanecer na McLaren. Sempre disse que pretendo ser o piloto de maior sucesso na história do time (o recorde é de Ayrton Senna e Alain Prost, com três títulos cada pela McLaren). Ultimamente meu futuro virou moda. Uma palavra que escrevem fora de contexto muda o que penso. Neste ano e no próximo não há dúvida, vou continuar na McLaren. E é ótimo ouvir do seu chefe que ele quer que você continue na equipe. A McLaren nunca deixa de investir e penso que podemos ser campeões este ano. É a única escuderia que nos últimos anos sempre venceu pelo menos um GP. Portanto, no momento, não penso em sair da McLaren, mas tudo é possível. Você nunca sabe o que vai acontecer. No ano que vem posso usar mais piercing, deixar meus cabelos crescerem, passar a usar roupas no estilo do Michael Schumacher - estou brincando, hein?.

Você tem origem simples. Por conta de seu talento e conquistas nas pistas assinou contratos que lhe garantem somas elevadas. Tem espírito empresarial ou e conservador com o seu dinheiro?

Eu não fiz nenhum investimento agressivo até hoje. E no mundo atual penso ser um risco. Tenho uma casa, pago as minhas contas, as de minha mãe, meu irmão, e compro meus brinquedos. O último foi uma guitarra, do Prince, num leilão de caridade. Conversamos, disse-me que era de sua última turnê e fiz tudo para adquiri-la, além de ajudar na campanha.

Dá para conciliar a vida de piloto de Fórmula 1 com a da namorada, cuja agenda internacional não é tão diferente da sua? (Hamilton e a pop star Nicole Scherzinger namoram há três anos. A cantora vive mais nos Estados Unidos).

É muito difícil. Às vezes ficamos um mês sem nos vermos. Mas estou toda hora no telefone. Ela manda textos para mim e eu ligo para ela. Minha conta de telefone é bem mais alta.

Você pode pedir um desconto para a Vodafone (patrocinadora da equipe).

Vou pedir para as despesas dela também.

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