Vencer o Brasil é o troféu que falta na estante do futebol espanhol

O troféu que falta para a Espanha não é a Copa das Confederações. É ganhar do Brasil. Esse é o sentimento dos jogadores e também dos torcedores.

MARCOS LÓPEZ ,

30 de junho de 2013 | 02h09

A campanha da seleção brasileira na Copa de 1982, mesmo que não tenha conquistado o título, encantou e marcou os espanhóis de maneira definitiva. Aquilo que o Brasil demonstrou em nossos estádios, e que acabou em Sarriá, fez com que o Brasil se transformasse em uma referência máxima do futebol bonito e bem jogado. Os espanhóis respeitam a história do futebol brasileiro. Até hoje.

A Espanha não quer perder a chance de derrotar os reis do futebol, dentro de sua casa, o Maracanã e, para isso, já tem uma estratégia definida. Os espanhóis sabem que são fisicamente inferiores, são pequenos e menores que os brasileiros. Além disso, têm uma média de idade maior que a dos brasileiros. Por isso, vão evitar o jogo físico. A Espanha vai tentar compensar essa inferioridade física com o toque de bola em velocidade. Não vai apenas manter a posse, mas acelerar as jogadas mais que o habitual.

Del Bosque deve colocar Navas ou Mata para tentar confundir a defesa. Não vai colocar um centroavante fixo, como Fernando Torres ou Roberto Soldado, entre os zagueiros. Del Bosque acredita que isso facilitaria o trabalho da zaga brasileira, que considera a melhor do mundo. Vale lembrar que Thiago Silva e David Luiz são pretendidos pelo Barcelona. Assim, todos os meias vão avançar, sem posição fixa, e criar jogadas principalmente pelos lados.

O ponto fraco da seleção brasileira está nos lados do campo. Daniel Alves e Marcelo não são contundentes como no Barcelona e no Real Madrid, respectivamente. Nos clubes, são decisivos no avanço e parecem mais sólidos quando defendem. O avanço dos meias pelas laterais é a uma das apostas espanholas.

É no meio, no entanto, que está a chave da partida. Xavi e Iniesta praticam o futebol-arte e poderiam jogar com a camisa brasileira. Até mesmo em 1982 ou 1970, outra geração que encanta os europeus. São a essência do êxito do Barcelona e da seleção espanhola. Do lado do Brasil, Neymar é o único que poderia jogar com os pequeninos de "La Roja". O resultado da partida será definido pela capacidade de os volantes brasileiros, Paulinho e Luiz Gustavo, bloquearem a criatividade da Espanha.

A Espanha também está preocupada em se defender. Vai tentar se defender com a bola, mantendo sempre a posse, como tem feito exaustivamente nos últimos anos. Mesmo assim, vai sofrer pelo alto. Esse é o seu ponto fraco. Enquanto apenas Sergio Ramos, Busquets e Piqué têm boa estatura, o Brasil tem Paulinho, Fred, Luiz Gustavo, Hulk, David Luiz, Thiago Silva. O caminho do Brasil é o jogo aéreo.

Nesse contexto de pontos fortes e fracos, é difícil estabelecer um favorito para a conquista da Copa das Confederações. A Espanha é a atual campeã do mundo e bicampeã europeia. Teoricamente, leva vantagem. O Brasil, por sua vez, joga em casa e o Maracanã vai influenciar muito. O Brasil não vai jogar sozinho.

Até a vontade de ganhar se equilibra. O Brasil busca ganhar confiança para 2014. Do lado espanhol, uma eventual vitória não será importante apenas para a imagem e projeção mundial, mas seria mais importante internamente. Vencer o Brasil significa que o poder no futebol local, simbolizado pela escalação da seleção, passa de mãos. Historicamente, a seleção sempre teve como base o Real; hoje, tem oito jogadores do Barcelona. É uma mudança cultural, esportiva, emocional e ideológica. Hoje, a Espanha pende para o lado catalão, mas precisa de uma chancela. Mais que um jogo, a final é um ajuste de contas dos espanhóis com seu passado e seu futuro e, por isso, com sua própria essência.

MARCOS LÓPEZ É REPÓRTER ESPECIAL DO JORNAL ESPANHOL EL PERIODICO,  DE BARCELONA, JÁ PARTICIPOU DE INÚMERAS COBERTURAS DA SELEÇÃO ESPANHOLA  

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