Veterano, Olsson se reencontra com o auge

Campeão de tudo no salto triplo, sueco livra-se de lesões e volta à forma que o consagrou no início da década

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

Foram quase quatro anos fora das grandes competições, com uma grave lesão atrás da outra - a primeira delas, na final olímpica do salto triplo, em 2004; a última, dois meses antes dos Jogos de Pequim, em 2008. Mas, como nas grandes histórias de superação do esporte, o sueco Christian Olsson conseguiu o que parecia impossível: aos 30 anos, voltou ao alto nível.

Hoje, a partir das 11h40 (de Brasília), Olsson disputa a final do Mundial Indoor em Doha, graças aos 17,07 m da qualificatória (atrás apenas dos 17,11 m do cubano Yoandris Betanzos). Vice-líder do ranking mundial, com 17,32 m, o sueco que já foi campeão de tudo - olímpico, mundial, europeu - avisa, em entrevista exclusiva ao Estado: "Estou confiante de que posso melhorar este resultado. Espero fazer isso hoje."

Olsson dominou o salto triplo na primeira metade da década. Foi, por inúmeras vezes, o algoz de Jadel Gregório (que também estará na final). Do vice-campeonato mundial em Edmonton/2001, somou pódios até a glória máxima: o ouro em Atenas. Medalha que trouxe, também, a grave lesão no tornozelo direito.

Foram duas operações (em março e em setembro de 2005). E, a cada retorno, uma lesão muscular que o impedia de saltar. Por ironia do destino, os problemas mais graves surgiam antes de torneios importantes. Assim, perdeu os Mundiais de Helsinque (2005) e de Osaka (2007), com um breve respiro para ser campeão europeu, em 2006, saltando na sua casa, Gotemburgo.

O ponto mais baixo, porém, veio em julho de 2008. "Estive muito perto de parar", admite Olsson, lembrando do estiramento (o quinto) que sofreu às vésperas da Olimpíada de Pequim. Olsson via seu nome sendo substituído, um a um, na história do salto triplo. Estava impossibilitado de defender o título mais precioso.

A reviravolta, porém, surgiu da decepção de não poder competir no Ninho do Pássaro. "Estava em Monaco (onde mora), pensando apenas em ficar na piscina e tomar umas cervejas. Tinha decidido: ia esquecer que a Olimpíada existia. Mas recebi uma ligação do Comitê Olímpico da Suécia. De repente, estava em um avião, indo para Pequim, para ser porta-bandeira do meu país", revelou, em uma franca entrevista ao site da Associação Europeia de Atletismo. "Aquilo acabou com o sentimento hostil que tinha desenvolvido."

Decidido a continuar saltando, procurou o médico alemão Hans Muller-Wohlfarht (conhecido por seus métodos alternativos, como a acupuntura, para tratar esportistas). "A partir daí, nunca mais tive problemas." A temporada indoor, que se encerra hoje, marca o retorno de Olsson, que parece ser definitivo. "Realmente amo o meu esporte. E, se estiver saudável, sei que ainda tenho muito a mostrar."

Fabiana Murer, pelo pódio. A brasileira luta, hoje, a partir das 10h20, por outra medalha no salto com vara - ela foi bronze no Mundial de Valencia, em 2008. Dona da 2.ª melhor marca do ano (4,82 m, só atrás dos 4,85 m de Yelena Isinbayeva), Fabiana aposta que subirá ao pódio se alcançar 4,80 m. A favorita para o ouro, como sempre, é Isinbayeva. Otimista, a russa afirmou que quer o tetracampeonato - e com um novo recorde mundial.

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