Veterano Vitor Belfort esbanja fôlego para conquistar mais um cinturão

Em entrevista exclusiva, lutador fala sobre suas chances no UFC 152 contra o campeão Jon Jones

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2012 | 08h17

SÃO PAULO - O brasileiro Vitor Belfort tem a chance de se tornar novamente campeão do UFC, quando entrar neste sábado no octógono para enfrentar o detentor do cinturão Jon Jones na edição 152 do evento, em Toronto, no Canadá. Veterano e vitorioso, ele vai ter pela frente um dos melhores lutadores da nova geração e sabe que terá uma tarefa dura. Mas garante que o ótimo treinamento e a força da torcida são elementos importantes para ele derrubar o favorito e voltar para casa com mais uma conquista. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre a sua preparação e sobre suas chances no combate.

Qual sua expectativa para a luta de amanhã?

Tenho certeza que será especial. Fiz uma ótima preparação com a equipe Blackzilians, na Flórida, treinando com grandes nomes do UFC, como Rashad Evans, Alistair Overeem, entre outros. Meu objetivo era aprimorar a técnica, aumentar meu repertório e me fortalecer fisicamente, ficar 110% mesmo. Acho que consegui e vou mostrar isso no octógono. Chego para esse combate com uma grande expectativa e em um grande momento da minha carreira. Até aqui sei que fiz tudo certo e estou confiante para fazer uma grande luta.

Como é ter passado por várias gerações de grandes lutadores e ainda estar na ativa?

Sempre procurei me cuidar ao máximo, ter uma alimentação regrada, levar os treinamentos muito a sério e ser o mais profissional possível. Eu vi toda essa história do UFC desde o começo. Outro dia vi uma foto minha lutando no UFC 12 e sábado lutarei no 152. Isso é incrível! Chegar aqui protagonizando este momento especial para a história do evento, inclusive para o esporte brasileiro, é algo que me deixa muito feliz. Dá orgulho. Também fico feliz por ter visto tantos grandes lutadores chegarem ao ápice, tê-los enfrentado, e continuar aqui, como um lutador de ponta. Minha vida está realmente entrelaçada ao UFC.

Jon Jones disse que costuma ter dificuldade contra canhotos. Isso pesa a seu favor?

Procuro não considerar que esse tipo de coisa pese nem a favor nem contra. Todo mundo é melhor em um fundamento em detrimento de outro. Isso é normal. Como todos os lutadores, ele tem suas preferências, mas ele é muito completo e experiente e não acredito que esse fator isolado venha a ser determinante na luta. Não vou entrar no octógono pensando em apenas uma variável do combate. Neste período em que me preparei, eu e minha equipe procuramos estudar tudo, preparar soluções e estratégias completas. Para lutar neste nível você tem que pensar assim.

Como foi essa mudança de peso?

Estou me sentindo muito bem. Foi uma transição tranquila, até porque é um peso que eu conheço bem e no qual já fui campeão. Há uma adaptação na alimentação e nos treinamentos. Não ter que se preocupar tanto com a perda de peso é algo que ajuda muito. O peso sempre é uma preocupação para quem luta no limite da conformação do seu corpo. Mas minha categoria continua sendo o peso médio. Aceitei subir de categoria neste caso em prol do evento e também por se tratar de uma grande oportunidade de ser campeão novamente, de obter meu terceiro cinturão. Quando veio o convite, eu não hesitei. Aceitei na hora.

Como está sendo o apoio dos fãs?

Como sempre faço, me isolei para mergulhar totalmente nos treinamentos. Mas tenho sentido à distância o apoio dos fãs. Amigos, parentes e torcedores em geral têm arrumado meios de me incentivar. Isso é sensacional. Treinar para uma luta de MMA é difícil. Exige disciplina, você leva seu corpo ao limite, sente dores musculares, vive aprendendo a dar e receber golpes. É duro. Então, todo incentivo ajuda. Se eu vencer, em parte vai ser pelo apoio dessa galera.

Como você vê a possibilidade de trazer mais um cinturão para o Brasil?

O Brasil vive um grande momento no MMA. Já temos vários campeões na atualidade e eu poder trazer mais este título para o meu País é fantástico. Como disse, vi toda essa história começar e tenho certeza que dei minha contribuição para o crescimento do esporte no Brasil, então tudo isso faz com que esse momento seja realmente único. Para mim, pessoalmente, ter a chance de chegar ao terceiro cinturão é algo sensacional. Pode ser um grande momento na minha vida. Além disso, eu estava escalado para o UFC Rio III, em outubro. E tive de abrir mão de lutar em casa, com a torcida ao lado, o que sempre é uma sensação especial. Acho que ter a torcida ao seu lado faz parte da realização pessoal do atleta, mostra que ele realmente conquistou as pessoas pelo seu valor. Então quero vencer e, com isso, ter a oportunidade de dar este presente a todos os brasileiros, mesmo longe do meu País.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.