Vettel e Marko falam em conspiração contra a Red Bull

Equipe vê má vontade da direção de prova, que autorizou entrada do safety car quando alemão liderava em Valência

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h08

Sebastian Vettel já tinha dado a entender, domingo, que acredita numa conspiração da direção de prova contra a Red Bull, no GP da Europa, em Valência. O bicampeão do mundo afirmou que a entrada do safety car na pista, na 28.ª volta da corrida, "serviu para limpar o asfalto dos detritos e também para quebrar o nosso pescoço". Vettel, líder, tinha 20 segundos de vantagem para o segundo colocado, Romain Grosjean, da Lotus.

Agora, além de Vettel, o homem forte da Red Bull, Helmut Marko, disse entender da mesma forma: "Vettel estava muito distante, em primeiro, e o safety car colocou todos juntos de novo, como eles fazem nas competições norte-americanas".

Na 28.ª volta da oitava etapa do campeonato, um acidente entre Jean-Eric Vergne, da Toro Rosso, e Heikki Kovalainen, da Caterham, deixou pedaços de carenagem por todo lado. A fibra de carbono gruda facilmente nos pneus aquecidos, em geral causando furos e, por vezes, explosões. Assim, Charlie Whiting, diretor da prova, autorizou a entrada do safety car para os comissários poderem limpar a pista. Desde a largada o ritmo de Vettel era muito melhor que o dos demais pilotos, abrindo uma vantagem impressionante de quase um segundo por volta.

Quando o safety car saiu da pista liberando a corrida novamente, na 33.ª volta, Vettel mantinha-se em primeiro com Fernando Alonso, da Ferrari, o vencedor, no final, em segundo, por ultrapassar Grosjean, e Lewis Hamilton, McLaren, também por ganhar a posição de Kimi Raikkonen, da Lotus. Mas logo em seguida Vettel perdeu velocidade, foi ultrapassado por todos e encostou o carro. Revoltado, deixou o cockpit e jogou as luvas longe. O alternador parou de funcionar no renovado modelo RB8 que assustou os adversários pela eficiência.

Não há relação entre o período de menor velocidade dos carros com o safety car na pista e a quebra do alternador, tanto para Vettel como para Grosjean, apenas seis voltas mais tarde. Os dois competem com motor Renault que utiliza o mesmo alternador. A empresa francesa investiga as causas do problema.

As insinuações de Vettel e Marko são sérias. Talvez tenham de se retratar. A FIA deve se manifestar a respeito, questionando os dois. Não é possível deixar no ar a suspeita de resultado manipulado no GP da Europa.

OUTROS CASOS

 A história da F-1 é rica de experiências semelhantes. Em 1997, tudo levava a crer que Jacques Villeneuve, da Williams, comemoraria, em Suzuka, o título mundial. Tinha uma vantagem de nove pontos sobre Michael Schumacher, Ferrari. Restaria, depois, apenas o GP da Europa, em Jerez de la Frontera, na Espanha. Quando o treino livre do sábado terminou, os comissários decidiram excluir o canadense do GP do Japão. Motivo: não reduzir a velocidade sob bandeira amarela. Era reincidente na infração. Villeneuve deu a entender que era para ajudar a Ferrari ser campeã, o que não acontecia desde 1979. Mas, em Jerez, Villeneuve confirmou a conquista do campeonato.

Em 2006, os comissários desconsideraram os três melhores tempos de Fernando Alonso, da Renault, no GP da Itália, em Monza, o que o fez largar em décimo. Ele teria prejudicado a volta rápida de Felipe Massa, companheiro de Schumacher, na classificação. O espanhol disputava o título com o alemão. Alonso não deixou nada no ar, foi direto ao ponto: "Fórmula 1 não é esporte. É um jogo de interesses, política. Perdi o prazer de correr". A exemplo de Villeneuve em 1997, Alonso tornou-se campeão em 2006.

E o feitiço pode virar contra o feiticeiro no caso da Red Bull. Espera-se que alguma concorrente - Ferrari, McLaren, Mercedes e Lotus - solicite esclarecimento à FIA a respeito da legalidade das soluções aerodinâmicas incorporadas no modelo RB8 em Valência. O GP da Grã-Bretanha, dia 8, promete ser agitado.

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