Silva Izquierdo/AP
Silva Izquierdo/AP

Vettel faz história em Interlagos ao se tornar o tri mais jovem da Fórmula 1

Alemão conquista o título do Mundial de Pilotos no autódromo de São Paulo neste domingo

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h01

SÃO PAULO - Não faria mesmo sentido a conquista do título, o terceiro na brilhante carreira de Sebastian Vettel, da Red Bull, domingo, 25, em Interlagos, sem passar por maiores dificuldades. No melhor estilo do GP do Brasil, aconteceu de tudo nas empolgantes e imprevisíveis 71 voltas da prova, retrato final perfeito de uma temporada que nunca será esquecida, a mais competitiva de todos os tempos. No fim deu Jenson Button, da McLaren.

"Essa foi a corrida mais difícil da minha vida", afirmou Vettel, exausto, física e emocionalmente. Lutou com todas as forças, depois de um começo assustador, para receber a bandeirada em sexto, quase no limite do necessário para fazer a festa com sua competente equipe. Fernando Alonso subiu ao pódio, em segundo, como precisava, com o companheiro de Ferrari, Felipe Massa, em terceiro, mas os 8 pontos obtidos por Vettel lhe garantiram o campeonato: 281 a 278.

Além do imenso desafio de responder com precisão às constantes mudanças do clima, exame que poderia tê-lo feito abandonar a competição e deixar o caminho aberto para Alonso vencer o Mundial, Vettel ficou sem o sistema de rádio. "E num dia como hoje (ontem) era fundamental me comunicar regularmente com meu time", disse, sempre em voz baixa, olhando para frente, distante do ambiente da entrevista.

Talvez pelo êxito da conquista depois de quase dar adeus, ainda na primeira volta. Envolveu-se num acidente com Bruno Senna, da Williams, na curva do Lago, e caiu para a 22.ª colocação. "Nunca desisti, a perda do título nunca me passou pela cabeça, sempre a considerei possível, mesmo naquelas condições."

Outro instante que poderia ter comprometido tudo ocorreu na 52.ª volta."Por estar sem rádio o time não me esperava para o pit stop." Pior que o tempo perdido foi optar por pneus Pirelli para pista seca e duas voltas depois precisar voltar aos boxes para mudá-los pelos do tipo intermediário, pois começou a chover. "Perdi pelo menos 22 segundos", contou Vettel. "As coisas conspiravam contra nós, hoje (ontem)", afirmou.

A luta com Alonso e a Ferrari não ficou fora do seu discurso. E denotou certa revolta com o comportamento da Ferrari, de privilegiar o espanhol em detrimento de Felipe Massa. "Muita gente tentou truques sujos, ações que na nossa maneira de ver se estendem para além dos limites, mas nós nunca nos deixamos atingir por isso."

Vettel ouviu nos últimos dias que a chuva jogava contra seus interesses. Alonso não escondeu torcer por uma corrida tumultuada, como a de ontem.

"Disseram que a chuva nos colocaria em dificuldades. Penso, porém, ter mostrado que gostamos dos dois jeitos, seco e chuva." O mais jovem tricampeão do mundo, aos 25 anos, lembrou que o feitiço virou contra o feiticeiro: "Na realidade, a chuva hoje (ontem) nos ajudou. Após 10 ou 20 voltas eu era o quinto, atrás de Fernando."

E quando o asfalto secou, os danos do choque com Bruno na curva do Lago se manifestaram na sua Red Bull. "Portanto, a chuva me ajudou. Não tínhamos boa velocidade na pista seca." O alemão reconheceu estar tenso. "A equipe me perguntou se eu estava nervoso. Respondi que sim, não há como não estar."

Façanha histórica. A respeito da conquista do tri, comentou: "Acho que dois ou três pilotos conseguiram a mesma coisa". Foram Juan Manuel Fangio, de 1954 a 1956, e Michael Schumacher, 2000 a 2002. O nome de Vettel já está associado a lendas como Fangio e Schumacher, para se ter uma ideia da extensão da sua obra na Fórmula 1.

"Não, ainda não compreendi o que consegui", falou Vettel.

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