Vettel já sobra. Na pista e na liderança

Atual campeão mundial, piloto da Red Bull vence mais uma, desta vez na Malásia, e abre 24 pontos para o 2º colocado

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / KUALA LUMPUR

Os desafios na Fórmula 1 mudam com os novos pneus e as regras distintas, mas a competição permanece selecionando os mais competentes. Como Sebastian Vettel e sua equipe, a Red Bull, estão neste momento à frente da concorrência, o resultado não poderia ser outro: com a vitória no GP da Malásia, ontem, a exemplo da conquista na Austrália, Vettel já impõe diferença preocupante aos adversários.

Jenson Button, da McLaren, segundo colocado na prova e no campeonato, está 24 pontos atrás, 50 a 26. A verdadeira cara da F-1 este ano foi exposta no circuito de Sepang: corridas com mais ultrapassagens e muitos pit stops (58), mas confusas de serem compreendidas. "Até por nós, pilotos", observa Button.

Aerofólios móveis e pneus que se degradam rapidamente fizeram com que as enormes diferenças nos tempos registradas na classificação pouco tenham a ver com o que se passa nas corridas. Fernando Alonso, da Ferrari, foi 1 segundo mais lento que Vettel e o 2.º colocado no grid, Lewis Hamilton, da McLaren, mas lutou com o inglês pelo terceiro lugar na 45.ª volta de um total de 56. Se tocaram, foram punidos com 20 segundos e se classificaram em 6.º e 8.º.

Depois de Vettel e Button, Nick Heidfeld, da surpreendente Renault, completou o pódio, como já havia feito seu companheiro, o russo Vitaly Petrov, em Melbourne. "Minha largada foi sensacional e decisiva", lembrou o alemão. Ele saltou do 6.º para o 2.º lugar.

Maturidade. Vencer o Mundial, no ano passado, trouxe serenidade a Vettel. Nas duas primeiras etapas do campeonato, agora, aproveitou-se brilhantemente da vantagem técnica do modelo RB7 da Red Bull e ganhou ambas, de ponta a ponta, depois de sempre largar na pole position.

Com os dois primeiros lugares nas duas últimas provas de 2010, Brasil e Abu Dabi, a vitória de ontem foi a quarta seguida de Vettel.

"Sabíamos que largar bem seria crucial, por isso decidimos usar o Kers (sistema de recuperação de energia, capaz de disponibilizar 80 cavalos extra de potência a cada volta)", disse o alemão de 23 anos. "Depois, na corrida (na 29.ª volta), a equipe pediu que não mais o utilizasse. Ainda não está perfeito no nosso caso, mas foi fundamental na largada." Manteve-se na frente. Mas, mesmo sem o recurso que lhe dava cerca de 4 décimos de segundo a menos no tempo de volta, pôde permanecer na liderança.

A razão principal é o comportamento dos pneus Pirelli, como deseja o promotor do show, Bernie Ecclestone. "Penso ter ficado claro aqui, na Malásia, que os pneus têm "janelas" (determinado número de voltas) onde apresentam certo desempenho e depois disso mudam bastante, em especial no calor intenso", explicou Steve Nielsen, diretor esportivo da Renault. A maioria dos pilotos fez três pit stops, enquanto Mark Webber, companheiro de Vettel, 4.º colocado, prejudicado pela ausência do Kers antes ainda da largada, optou por quatro, assim como Hamilton se viu obrigado a uma quarta parada.

Hamilton, combativo piloto da McLaren, chegou a ficar a 3 segundos de Vettel, mas seus pneus acabaram. O próximo GP será domingo, na China.

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