Vettel não acata ordem e abre crise na Red Bull

Vettel passa Webber, por conta própria, ganha o GP da Malásia e depois pede desculpas. Australiano nem queria ir ao pódio

LIVIO ORICCHIO , ENVIADO ESPECIAL / KUALA LUMPUR, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h08

Fãs, telespectadores e leitores das reportagens de Fórmula 1 devem estar um pouco confusos ainda hoje, uma dia depois de Sebastian Vettel, da Red Bull, vencer o GP da Malásia, ontem no circuito de Sepang, com seu companheiro, Mark Webber, em segundo, e Lewis Hamilton, Mercedes, em terceiro.

Já na cerimônia do pódio Vettel pediu desculpas por ter ultrapassado Webber e vencido a segunda etapa do campeonato. E Hamilton também falou que quem deveria estar no pódio era o seu parceiro, Nico Rosberg, não ele. Webber, no meio dos dois, acusou a própria Red Bull. E aquele era um momento, ou deveria ser, de júbilo pelas conquistas.

A situação era tão tensa logo depois da bandeirada que Webber se recusou até mesmo a ir ao pódio. "Eu precisei lembrá-lo do compromisso existente com a FIA e as consequências de uma decisão dessas", explicou ao Estado Matteo Bonciani, chefe de imprensa da entidade.

"Depois do último pit stop (43.ª volta), fui avisado de que a competição entre nós havia acabado e deveríamos reduzir os giros do motor", explicou Webber no microfone do autódromo. Faltavam 13 voltas para a bandeirada. O australiano era o líder com o tricampeão, Vettel, em segundo, próximo. Hamilton, o terceiro, estava 8,3 segundos atrás.

"Mas Sebastian resolveu tomar suas próprias decisões e será protegido pela equipe, como de costume", disse, profundamente irritado. Christian Horner, diretor da Red Bull, e Helmut Marko, representante do proprietário, Dietrich Mateschitz, ouviam aquilo atônitos embaixo do pódio, onde estavam para celebrar a brilhante dobradinha da escuderia.

Desrespeitando a ordem de Horner, Vettel atacou Webber que não se deu por vencido e partiu para a luta. E por muito pouco na 45.ª volta não protagonizam o autoaniquilamento da Red Bull como no GP da Turquia de 2010, quando na tentativa de Vettel também assumir a liderança da prova os dois colidiram. Em Sepang, Vettel ultrapassou Webber na 46.ª volta, ganhou a corrida e assumiu a liderança do Mundial, com 40 pontos, diante de 31 de Kimi Raikkonen, da Lotus, apenas sétimo, ontem..

De acordo com o que Vettel falou na sequência, depois de ouvir a dura acusação pública procedente de Webber, quem sabe já na próxima etapa do calendário, dia 14 na China, se estiverem numa situação parecida com a de ontem, retribua o favor, ou seja, deixe Webber vencer. "Acho que cometi um grande erro. Deveria permanecer na posição que estava, peço desculpas, não me sinto totalmente feliz", falou Vettel.

Outro 'barraco'. E para completar o quadro de incompreensões do GP da Malásia, Nico Rosberg, assim que estacionou o carro depois da bandeirada, afirmou com voz enérgica, no rádio da Mercedes: "Lembrem-se desta prova". O alemão, ao contrário de Vettel, acatou a orientação de Ross Brawn, diretor da equipe, para não tentar a ultrapassagem sobre Hamilton, terceiro colocado, apesar se estar com os pneus em melhor estado e, portanto, mais veloz.

Desta vez a Mercedes, a exemplo da Red Bull, administrou bem o consumo dos novos pneus Pirelli, o que os impediu de melhor classificação na Austrália.

Hamilton, constrangido como o vencedor, disse: "Não tenho a melhor das sensações por estar hoje no (ontem) pódio". Falou mais, com enorme sinceridade: "Nico em geral tem um ritmo melhor que o meu em corrida, ele merecia estar aqui". O Estado perguntou ao notável piloto inglês se iria se lembrar do GP da Malásia, como recomendou Rosberg no rádio. "Com toda certeza", garantiu Hamilton. Assim, quem sabe no circuito de Xangai o campeão do mundo de 2008, como Webber com Vettel, da mesma forma devolva a gentileza.

É provável que hoje o presidente da FIA, Jean Todt, faça algum comentário a respeito de um GP em que os vencedores não disfarçam sua insatisfação com o resultado. Contra toda a lógica do esporte. Se tivessem ficado atrás dos companheiros é provável que aí, sim, estivessem comemorando a conquista da equipe.

Felipe Massa, da Ferrari, disputou boa prova, considerando-se as dificuldades iniciais, como explicou, ao obter o quinto lugar. Fernando Alonso tocou na traseira de Vettel, ainda na segunda curva depois da largada, e abandonou na segunda volta por ter perdido o aerofólio dianteiro.

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