Vettel, presente e futuro de recordes

Prestes a conquistar o bicampeonato mundial, o jovem piloto alemão pode quebrar muitas marcas, não só de precocidade

LIVIO ORICCHIO / CINGAPURA , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h03

Sebastian Vettel completou 24 anos dia 3 de julho. No GP de Cingapura, hoje, pode conquistar seu segundo título seguido. Em pouco mais de três anos na Fórmula 1, esse alemão de Heppenheim, filho de um carpinteiro, já deu mostras inequívocas de ser um supertalento: vice em 2009, campeão no ano passado e virtual bi agora. Sempre com a Red Bull. Mas diferentemente da maioria de outros ases da Fórmula 1, Vettel começou a obter sucesso muito cedo, o que faz dele o recordista de precocidade em quase todos os parâmetros.

"Não penso nisso. Hoje, pelo menos. Talvez quando estiver mais velho, já fora da Fórmula 1. Mas claro que é sempre bom saber que você lidera algum ranking", disse Vettel, ao Estado, em Monza, questionado sobre as marcas expressivas alcançadas sendo tão jovem. E a pole position, ontem, em Cingapura, apenas reforça o que começou a se desenhar este ano: diante do provável longo futuro que o aguarda na Fórmula 1, Vettel pode quebrar muitos recordes e não apenas de precocidade.

No circuito Marina Bay, ontem, o piloto da Red Bull estabeleceu a 26.ª pole position da carreira, 11.ª na temporada. Em Monza, dia 10, já havia ultrapassado dois dos maiores da história, Niki Lauda e Nelson Piquet, com 24 poles. "É mesmo?", surpreendeu-se depois da sessão de classificação na Itália. "Não faço contas sobre quantas poles ou vitórias possuo. Cada GP tem história própria para mim. Foi dessa forma que me tornei campeão no ano passado e será assim se conquistar o título agora."

Tal qual o ídolo que o inspirou a tornar-se piloto, Michael Schumacher, Vettel não dá maior importância às estatísticas. "Valem pouco enquanto você está na ativa." Mas suas marcas não deixam de traduzir a trajetória já extraordinária. Apesar de ter disputado a primeira temporada, 2008, pela modesta Toro Rosso, já naquele ano estabeleceu pole position, chegou ao pódio e obteve uma vitória, a única da história da equipe. A estreia foi no GP dos EUA de 2007, substituindo Robert Kubica, na BMW, com apenas 19 anos. E marcou pontos, em 8.º.

Seu currículo apresenta 75 largadas até o GP da Itália e 18 vitórias. Apenas este ano foram oito triunfos em 13 etapas. Está longe, ainda, do líder desse ranking, o ídolo, com 91 vitórias, mas diante da sua capacidade e a estrutura criada pela Red Bull, com quem tem contrato até o fim de 2014, faz sentido se esperar avanço avassalador de Vettel nas estatísticas a curto prazo, como faz este ano.

Se for campeão hoje, Vettel não vai superar Schumacher, que definiu a conquista do Mundial de 2002 ainda na 11.ª etapa de um total de 17 (64,7%), primeiro do ranking. A corrida noturna, hoje, será a 14.ª do calendário. Mas já será uma marca histórica de Vettel caso defina o título, por ser a quarta melhor da Fórmula 1, com apenas 73,6% das provas disputadas.

Nos demais parâmetros mais representativos da precocidade de um piloto, porém, Vettel lidera todos: mais jovem a ser campeão do mundo, a eventualmente ser bi, a conseguir uma vitória, pole position, chegar ao pódio e marcar pontos. "Sempre achamos que algumas marcas não vão ser superadas. Logo depois surge alguém e faz melhor. Quem poderia imaginar ser possível bater o recorde de poles de Senna (65). Michael conseguiu (68). Acho que vai acontecer o mesmo com os meus números", disse, em Cingapura. "Só espero que demore bastante."

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