Vettel sai na frente na luta pelo tri

Alemão larga em quarto, e seu concorrente Fernando Alonso só em sétimo. A McLaren dominou a primeira fila com Hamilton e Button

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h03

A tarefa de Sebastian Vettel para conquistar o tricampeonato mundial hoje no GP do Brasil ficou menos complexa depois da sessão que definiu o grid ontem em Interlagos, apesar de largar apenas na quarta colocação. Isso porque Fernando Alonso, seu adversário na luta pelo título, começa a corrida em sétimo (fez o oitavo tempo, mas Pastor Maldonado, que era o sexto, perdeu dez posições por não ter levado o carro para a pesagem depois do treino). Para Vettel vencer o campeonato basta a quarta colocação, independentemente do que fizer Alonso.

O resultado da sessão de classificação é ainda mais favorável a Vettel porque a dupla da McLaren, Lewis Hamilton e Jenson Button, com um carro muito rápido, começa a corrida em primeiro e segundo. Melhor ainda para o alemão: seu companheiro, Mark Webber, registrou o terceiro tempo. Alonso inicia a prova com a obrigação de ultrapassar adversários que têm de carros mais velozes do que sua Ferrari.

A esperança do espanhol é que chova durante a prova, o que pode embaralhar as cartas e melhorar suas chances de virar o jogo. "Quanto mais caótica for a corrida, melhor. Em condições normais está claro que não temos como ir ao pódio." Sua torcida pela chuva e a diferença em relação ao tempo feito por Massa podem ser sinais de que ele acertou o carro para corrida com pista molhada.

Ontem choveu pouco antes do início da sessão e no Q1 havia ainda pontos molhados no asfalto. Mas no Q3, destinado aos dez mais rápidos, estava seco, conforme atesta a marca estabelecida por Hamilton para ser pole: 1min12s458, à média de 214,0 km/h.

Joga contra os interesses de Alonso o estímulo dos pilotos da McLaren. O GP do Brasil representa a despedida de Hamilton da escuderia - vai correr pela Mercedes, em 2013. E tanto ele quanto Button sabem que o segundo lugar entre os construtores dará ao time cerca de US$ 25 milhões (R$ 50 milhões) a mais do que o terceiro lugar. A Ferrari está em segundo com 367 pontos, e a McLaren tem 353.

"Estamos bem competitivos. Amanhã deve chover e eu estou na frente. Sou o primeiro a chegar nas curvas e ver se há poças ou não. Terei de ser bem cuidadoso", comentou Hamilton.

O inglês foi campeão do mundo em 2008 após ser quinto em Interlagos numa das corridas mais tumultuadas da Fórmula 1. "E para ser quinto foi um sacrifício", lembra Hamilton, que ultrapassou Timo Glock a poucos metros da chegada e conseguiu a posição que precisava para ficar à frente de Felipe Massa no campeonato. Isso ratifica a ideia de que Vettel, apesar de todas as vantagens,construídas pela sua competência e pela da Red Bull, ainda não pode celebrar nada.

Felipe Massa, a exemplo do que tinha feito no GP dos Estados Unidos em Austin, disputou bela classificação e foi novamente mais rápido do que Alonso. Vai largar em quinto.

"Fiz uma volta perfeita no Q3, tirei o máximo possível do nosso equipamento. Mas McLaren e Red Bull estão mais rápidas do que nós. Estão falando em chuva para amanhã, portanto tudo pode acontecer", disse.

Nos Estados Unidos a Ferrari quebrou intencionalmente o lacre do câmbio de seu carro para que ele perdesse cinco posições e fizesse Alonso ganhar uma no grid, mas desta vez ele garante que nada semelhante vai acontecer para ajudar o espanhol. "Impossível. Nos Estados Unidos se justificava porque havia um lado da pista melhor para a largada (Alonso estava no lado sujo, e ao subir no grid foi para o limpo), mas aqui não faz diferença."

O que ele promete fazer para tentar ajudar seu companheiro é ir para cima de Vettel. "Vou tentar atacar, mas sempre fui um piloto honesto."

Se Vettel deixar a corrida basta o terceiro lugar para Alonso ser campeão. "Se chover será ótimo para vocês espanhóis", disse o alemão a uma jornalista da Espanha que lhe perguntou como seria a corrida se o asfalto estiver molhado.

Otimismo. Bruno Senna fez o 12º tempo, mas também ganhou uma posição por causa da punição ao seu companheiro Maldonado. E ele está otimista. "Não ter ido para o Q3 me permitiu economizar um jogo de pneus novos (do tipo médio, os mais macios em Interlagos) para a corrida. Isso me permitirá ser um pouco mais agressivo na corrida."

Bruno espera já na próxima semana ter uma definição sobre o seu futuro. Ele tem chances na Force India e na Caterham.

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