Srdjan Suki/Efe
Srdjan Suki/Efe

Vettel volta a vencer e começa a sobrar na turma

Na Turquia, alemão ganha pela terceira vez em quatro corridas e já abre boa vantagem sobre principais concorrentes

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Dos 100 pontos possíveis este ano, até agora, depois de quatro etapas, Sebastian Vettel, da Red Bull, conseguiu 93 com a vitória de ontem no GP da Turquia. Como adjetivar o seu trabalho? Os resultados falam por si. Em outra corrida espetacular, plena dos dois ingredientes mais reclamados pelos fãs da Fórmula 1, ultrapassagem e, portanto, emoção, a Red Bull estabeleceu a primeira dobradinha da temporada, com o segundo lugar de Mark Webber.

Mas o que se imaginava depois da parada de três semanas entre a prova da China e a de Istambul as 58 voltas da corrida confirmaram: Ferrari, McLaren e Mercedes reduziram a diferença de desempenho para a Red Bull. Fernando Alonso, da Ferrari, chegou em terceiro, primeiro pódio da Ferrari no ano, mas seu ritmo não ficou muito aquém de Vettel e Webber. "Demos o primeiro passo para poder enfrentar a Red Bull", disse o espanhol, que daqui a duas semanas compete em casa (Barcelona).

"Não tenho nada a lamentar, mantive a corrida sob controle o tempo todo, ninguém me ameaçou. Os mecânicos recuperaram o meu carro destruído sexta-feira (se acidentou, sob chuva, nos treinos livres) de forma a eu não sentir diferença alguma", disse Vettel, com a tranquilidade de quem tem consciência da vantagem técnica de que dispõe. E sabe aproveitá-la.

Depois do que apresentou na Austrália, Malásia e China, a McLaren parece ter avançado menos que Ferrari e Mercedes. "Vamos ter mais modificações no carro na Espanha do que trouxemos para cá", justificou Lewis Hamilton, que com o quarto lugar de ontem manteve-se em segundo no Mundiall. O jovem da Red Bull, atual campeão do mundo, já não perde a liderança na Catalunha se não marcar pontos e Hamilton vencer. E apenas quatro etapas foram realizadas.

Esse dado isolado poderia sugerir um campeonato sem graça, com um piloto se sobrepondo demais à concorrência, como fez Michael Schumacher em 2002 e 2004, na Ferrari. Mas com os pneus Pirelli concebidos para se degradar rápido, o sistema de recuperação de energia, capaz de disponibilizar 80 cavalos a mais de potência, e o flap traseiro móvel, as regras deste ano, as corridas oferecem da primeira a última volta disputas espetaculares. Ou ainda recuperações de tirar o fôlego: o valente japonês Kamui Kobayashi, da Sauber, largou em último e marcou um ponto com o ótimo décimo lugar.

Há quem se lamente, contudo, que numa competição como a de ontem, com 81 pit stops, sua compreensão é complexa. "A Fórmula 1 foi de um extremo ao outro", comenta Steve Nielsen, diretor da Renault, sem desejar ser crítico. "Verdade, imagino que as pessoas não saibam a nossa real colocação na prova. E nós mesmos só a conhecemos porque a equipe nos informa. Mas prefiro essa Fórmula 1 a do ano passado, totalmente previsível", opina Michael Schumacher, da Mercedes, 12.º ontem.

Com exclusividade ao Estado, o alemão ainda falou: "O que é mais justo, esse regulamento, onde um piloto mais veloz pode ultrapassar outro, ou o que aconteceu na decisão do título do ano passado, em que Alonso, pela impossibilidade de ultrapassar Petrov, apesar de bem mais rápido, perdeu o campeonato?" Nico Rosberg, colega de Schumacher, ficou em quinto.

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