Hípica Paulista/Divulgação
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Vice-campeão no hipismo, Zé Roberto Guimarães descreve experiência: 'Sensação única'

Aos 66 anos, treinador tricampeão olímpico de vôlei surpreendeu ao ganhar a prata no Campeonato Brasileiro Master

Ricardo Magatti, especial para o Estado

08 de outubro de 2020 | 10h00

Uma das maiores estrelas do esporte nacional, José Roberto Guimarães não se limita ao vôlei. O treinador tricampeão olímpico causou surpresa ao ser vice do Campeonato Brasileiro de Masters de hipismo, para cavaleiros e amazonas acima de 40 anos, em evento disputado no fim de setembro, na Sociedade Hípica Paulista. Ele competiu no Master B, com obstáculos a 1 metro do solo.

Apaixonado por cavalos desde garoto, Zé Roberto aproveitou o período sem jogos de vôlei em função da pandemia de covid-19 para intensificar os treinamentos de hipismo . Ele recebeu o convite de um de seus técnicos para competir e se saiu muito bem logo em sua primeira competição oficial na modalidade. Aos 66 anos, o treinador descreveu a experiência como algo inusitado, inacreditável e muito mais difícil do que disputar uma final olímpica.

"Sensação única, inacreditável. Inusitado para mim. Sempre tive o sonho de um dia conseguir competir, mas nunca havia tido a oportunidade pela rotina no vôlei. Sou apaixonado por cavalos, com uma ligação muito forte desde garoto. O tempo foi passando e comecei a montar com técnica, entender como me comunicar com o animal. Sempre foi uma atividade de lazer para mim. Mas aí vem a pandemia e, apesar de gostar muito da minha casa, procurei intensificar os treinos no hipismo", relata o técnico ao Estadão.

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Sensação única, inacreditável. Inusitado para mim. Sempre tive o sonho de um dia conseguir competir, mas nunca havia tido a oportunidade pela rotina no vôlei
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Zé Roberto Guimarães, técnico de vôlei e atleta de hipismo

Zé Roberto diz que superou as próprias expectativas. A ideia era completar o percurso sem cair e aproveitar a experiência ao máximo montando Hunter Massangana.

"Jamais imaginei que iria para o pódio, em segundo lugar. Era tudo muito novo. Tinha o pensamento de não errar no percurso e não cair. Me concentrei muito para isso. Eu me dava por satisfeito em participar e terminar incólume, sem cair e conseguindo completar o trajeto. Estava feliz só de viver aquele momento, como experiência de vida. O importante era participar e interagir com o cavalo", observa.

A paixão pelos cavalos surgiu por meio da família, muito ligada ao hipismo, e foi crescendo ao longo dos anos. O treinador da seleção brasileira feminina de vôlei e do São Paulo/Barueri já monta há mais de 20 anos.

"É uma coisa que vem do sangue, do avô, do pai, e depois acabei aflorando. Meu irmão mais novo foi um dos primeiros a trazer a equoterapia para o Brasil. Hoje ele trabalha na Hípica em São Paulo. Sempre fomos muito ligados ao cavalo", conta Zé Roberto.

Depois do sucesso em seu primeiro campeonato de hipismo, Zé Roberto planeja competir mais, porém o esporte segue sendo uma atividade de lazer. "Pretendo participar de mais competições, mas com a mesma parcimônia, de saber meus limites e entender o objetivo de estar competindo. É um esporte que eu escolhi para ser algo que eu tenha prazer para o resto da minha vida", avalia.

O técnico também falou sobre a seleção brasileira feminina de vôlei. O elenco não conseguiu se reunir neste ano em virtude da pandemia e a previsão é de que o grupo só volte a treinar em março do ano que vem. Depois, em maio, a equipe nacional disputa a Liga das Nações, que será usada como preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para julho e agosto de 2021.

"Tivemos um ano bem atípico em função de não termos conseguido nos encontrar. A apresentação estava marcada para julho, mas achamos por bem cancelar. Lógico que se perde quando não tem a possibilidade de treinar ou jogar todas juntas. Procuramos conversar com as jogadoras para alertar sobre os cuidados que deveria ter, com o descanso, a parte técnica, física e psicológica. Tudo com o que a jogadora de alto nível tem que se preocupar", salienta. 

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