Vida de piloto: entre diversão e alguns 'micos'

Vida de piloto: entre diversão e alguns 'micos'

Fazer parte da categoria garante privilégios fora das pistas, mas também situações bastante constrangedoras

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

MELBOURNE

Na Fórmula 1 não basta apenas ser bom de volante, também é preciso ter um certo talento para garoto-propaganda e espírito de aventura para encarar desafios fora das pistas. Na Austrália, como em todos os países onde competem, os pilotos têm de dividir o tempo nas mais variadas atividades promocionais. Algumas podem não ser muito divertidas, mas outras podem deixar muita gente com inveja.

O britânico Lewis Hamilton, da McLaren, por exemplo, pode dizer que já teve o prazer de comandar um barco que participou da mais tradicional competição de vela do mundo, a America"s Cup. Ao leme do The Spirit, o piloto passeou por vários dos principais pontos turísticos da cidade de Sydney, como a Harbour Bridge e o Opera House, durante as poucas horas que passou na cidade.

Hamilton conta que aprendeu alguns conceitos básicos de vela em uma competição que fez para a empresa Hugo Boss, mas revela que, na ocasião, acabou sendo desclassificado porque seu barco bateu em um adversário. O britânico diz que comparações entre os dois esportes são difíceis. "Nada é como um carro de Fórmula 1. Não existe nada parecido."

Micos. Sebastian Vettel, da Red Bull, cumpriu um compromisso mais cultural. Em Melbourne, testou suas habilidades no bumerangue ? antiga arma de caça australiana, hoje um popular brinquedo ? e no didgeridoo ( um instrumento musical aborígine). "A experiência foi boa, mas não sei se fiz direito", admite o alemão, um tanto constrangido.

Não era para menos. A ideia do bumerangue é que, quando arremessado corretamente, ele volte para quem o atirou, mas Vettel acertou um carro e um fotógrafo com o brinquedo. Fórmula 1 pode ser cultura, mas também garantia de "micos" . "Obviamente pilotar um carro é mais fácil", garante o alemão.

Diversão. Michael Schumacher que o diga. Nem o alemão com seu status de ídolo internacional escapou de alguns momentos constrangedores. No Brasil, por exemplo, o heptacampeão mundial levou uma pedalada de Robinho em um jogo de futebol beneficente que o deixou bastante irritado, já que é proprietário de um time na Áustria e sempre cultivou com certo orgulho o fato de ter intimidade com a bola.

Ao Estado, antes do GP do Bahrein, o alemão admitiu que o motivo que o levou a deixar a Fórmula 1 foi a pouca disposição para os compromissos promocionais e a distância da família. A alegria de pilotar ainda existia, tanto que, ao assinar com a Mercedes neste ano, impôs a condição de que tivesse tempo livre entre as corridas.

Antes do GP de Melbourne, o piloto visitou o Sea World em Gold Coast, onde, com seu prestígio de heptacampeão da Fórmula 1, pôde entrar no tanque dos golfinhos. A fêmea Nila, uma das atrações locais, até pareceu fazer uma pose para a foto.

Surfe. Mas não é preciso ser heptacampeão para se divertir. O brasileiro Lucas di Grassi, da Virgin, surfou com o bicampeão mundial (1987 e 1991) Damien Hardman. "O surfe é um esporte muito exigente no aspecto físico, então é uma boa preparação para guiar o carro, já que movimenta os músculos do corpo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.