Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Vila Autódromo apresenta projeto de reurbanização

Moradores querem impedir a remoção de 450 famílias do local, que fica junto ao futuro Parque Olímpico do Rio

LEONARDO MAIA, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h05

RIO - Representantes dos moradores da comunidade da Vila Autódromo, que fica junto ao local onde será construído o futuro Parque Olímpico dos Jogos do Rio, entregaram ontem ao prefeito Eduardo Paes, um projeto urbanístico para a manutenção da favela e que impediria a remoção das 450 famílias que lá moram. A questão da destruição da Vila, localizada em área nobre da zona oeste, é a questão mais delicada do projeto olímpico carioca. O cronograma atrasado da construção do Parque preocupa o Comitê Olímpico Internacional (COI).

O projeto, batizado Plano Popular da Vila Autódromo, foi desenhado por professores e alunos de arquitetura, sociologia e assistência social das Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e visa o saneamento e uma pequena urbanização da comunidade, além de prometer solucionar violações ambientais que existem atualmente na região.

Paes recebeu 10 dos representantes, mas não se comprometeu com a urbanização da favela. O prefeito, que concorre à reeleição, alegou que este é um momento eleitoral complicado e teme que qualquer medida seja utilizada para fins políticos.

"Essas pessoas moram lá há 40 anos. Não existe incompatibilidade entre o Parque Olímpico e a Vila Autódromo", disse Regina Bienenstein, professora da UFF e coordenadora do projeto.

"Trata-se de uma comunidade pacífica. Não existem motivos sociais, de segurança ou ambientais que justifiquem a remoção", frisou a arquiteta.

Em entrevista ao Estado na semana passada, Paes reforçou que mantém a posição de retirar os moradores do local para um condomínio a poucos quilômetros de distância. Disse, porém, que a remoção não vai se iniciar enquanto as novas moradias não estiverem prontas.

Os moradores rejeitam tal proposição. "A prefeitura tenta retirar a gente de lá há 20 anos. Mas continuamos a resistir", disse a artesã Jane do Nascimento Oliveira, de 57 anos. "Nosso projeto prevê até que a prefeitura regularize as moradias e o comércio, que nós pagaremos os impostos", disse Jane.

Outro argumento favorável apontado pelos idealizadores do projeto é o custo. Segundo os números do Comitê Popular da Copa e Olimpíada do Rio de Janeiro, a urbanização da comunidade custaria R$ 13,5 milhões, bem abaixo dos R$ 38 milhões previstos para o reassentamento total dos moradores.

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