Violência volta a roubar a cena em um clássico de poucos acertos

Corinthians vence, mas de novo o Estadual é marcado por confusão. Desta vez, entre a PM e a torcida do Santos

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2009 | 00h00

O futebol paulista voltou a ter uma tarde triste. No lugar de festa, pancadaria. No de alegria, desespero. O Corinthians venceu o Santos por 1 a 0, gol de Dentinho, mas o clássico disputado no Pacaembu terminou da pior forma possível: com vandalismo, corre-corre e, mais uma vez, confronto entre torcida visitante e Polícia Militar (PM). A violência vista ontem no Pacaembu guarda semelhanças com a ocorrida há pouco mais de um mês, entre corintianos e policiais, no Morumbi. Em comum, o fato de os dois lamentáveis episódios terem lugar em clássicos e o alvo ter sido a torcida visitante, presente em menor número.A confusão no Pacaembu durou cerca de 15 minutos, até o estádio ser esvaziado. E contou com uma participação inesperada: o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, ajudou a acirrar os ânimos (leia mais na pág. E5).De positivo, o Corinthians segue invicto na temporada e ficou muito perto de garantir vaga nas semifinais do Campeonato Paulista. De quebra, o técnico Mano Menezes finalmente ganhou um clássico com a equipe. "Temos de saber nos preparar para fazer clássicos com duas torcidas. E dá", afirmou Mano. "Falta respeito aos torcedores. Não dá para ficar apertado na Vila Belmiro, como também ficaram os santistas aqui ou ficam os visitantes no Palestra Itália, ali num cantinho."As semifinais do Estadual podem ter dois clássicos pela frente e o organizador do evento, a Federação Paulista de Futebol (FPF), já coça a cabeça. Palmeiras e Corinthians não admitem mandar seus jogos no Morumbi, casa do São Paulo, e o Santos faz questão de jogar na Vila Belmiro. Isso, contudo, é papo para daqui a quatro rodadas. E, claro, desde que os grandes confirmem a classificação, um pouco mais difícil para o Santos, do técnico Vágner Mancini, após a derrota de ontem.Envolto em mistério, o clássico começou para valer às 15h30, quando foram conhecidas as escalações. O blefe de Mano em usar três atacantes foi desfeito com a confirmação de Boquita no meio-campo. Do lado santista, sim, três atacantes: Roni, Kléber Pereira e a jovem estrela Neymar. "Não significa que vou ser mais ofensivo. O esquema é ousado, mas quero um time compacto, com a marcação começando já no Kléber Pereira", salientou Mancini.Mas as artimanhas dos técnicos não eram o foco principal na partida. Os olhares estavam voltados para dois atacantes: Ronaldo, com chuteiras brancas, e Neymar, de verde limão.Nos pés deles estavam depositadas as maiores esperanças de triunfo. Mas, bem marcados, quase não apareceram nos primeiros 45 minutos. Um chute perigoso a gol de cada. E só.Quem apareceu na fase inicial foi Dentinho, autor do gol do jogo, numa cabeçada aos 15 minutos. O Corinthians foi para o intervalo sob aplausos. O Santos, na bronca com a arbitragem. As torcidas, então, começaram a trocar gozações. "Ão, ão, ão, segunda divisão", provocaram os santistas. "É, 7 a 1", retrucaram os corintianos, sobre a goleada de 2005.Mas o que vale é bola rolando. Aos 9, Neymar teve a chance da consagração. Na cara de Felipe, parou no goleiro. Quatro minutos depois saiu de campo, vaiado. Ronaldo também falharia, aos 11 e aos 12. E seria substituído aos 36, aplaudido de pé numa cantoria ensurdecedora.Naquele momento, o Corinthians já administrava a vantagem e o Santos esbarrava num paredão defensivo. A "ola" e os gritos de "olé" foram a forma de o corintiano festejar triunfo em um clássico, algo que não ocorria desde 2007.

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