Virada histórica dá 1º título à Sérvia

França chega ao último dia de jogos em vantagem, mas Djokovic e o surpreendente Troicki garantem a festa em casa

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2010 | 00h00

A situação era crítica. Jogando em casa, o time chegava ao último dia de disputas da Copa Davis em desvantagem. Precisava ganhar seus dois últimos jogos para não frustrar a torcida e, para piorar, a quinta e decisiva partida teria um jogador que vinha de derrota no dia anterior e enfrentaria um adversário em posição melhor no ranking mundial. A história, digna de roteiro de filme, terminou em final feliz para a Sérvia que conquistou sua primeira Copa Davis por apertados 3 a 2 sobre a França em Belgrado.

"Para a gente foi como ganhar a Copa do Mundo", disse o astro da equipe anfitriã, Novak Djokovic, referindo-se à mais importante conquista coletiva do esporte sérvio. De acordo com o tenista, a vitória foi superior, até mesmo, à alegria proporcionada pela sua conquista no Aberto da Austrália, um dos quatro Grand Slams, em 2008. "Este foi o melhor momento da minha vida e, provavelmente, do meu país."

Não é para menos. No início do dia, a situação era complicada. Na sexta-feira, Gael Monfils havia colocado a França em vantagem, mas Novak Djokovic tratou de empatar a série de cinco jogos derrotando Giles Simon. O sábado foi dia de acirrada e estratégica disputa de duplas, na qual os sérvios Nenad Zimonjic e Viktor Troicki foram derrotados por Arnauld Clement e Michael Llodra em jogo de cinco sets e 4h34 minutos. Ontem, era tudo ou nada para os sérvios.

O primeiro a entrar em quadra foi Djokovic, que confirmou seu favoritismo ao derrotar Monfils por 3 sets a 0 (6/2, 6/2 e 6/4), prolongando a sobrevida dos sérvios. A responsabilidade pela vitória, no entanto, ficaria nos ombros de Troicki, que teria Llodra e as estatísticas como adversários - o sérvio, número 30 do ranking da ATP, havia perdido nas duplas no sábado e, na única partida de simples entre ambos, o francês, atual número 23 do mundo, havia levado a melhor.

Mas o esporte não é feito de números. E não faltou garra a Troicki para derrotar Llodra, que saiu de quadra aos prantos ao perder por 3 sets a 0 (6/2 6/2 6/3), para delírio dos 16 mil torcedores que lotaram a pequena Arena de Belgrado. "É muito forte para mim. Fiz o meu melhor mas não foi o suficiente", declarou em lágrimas. O capitão francês, Guy Forget, resumiu a decepção. "Esperávamos duas partidas difíceis hoje, mas não contávamos que Viktor poderia jogar tão bem." O comandante sérvio, Bodgan Obradovic, revelou o que considerou o segredo da vitória. "Meus jogadores mostraram que são o time mentalmente mais forte do mundo."

Herói. A torcida, acostumada a reverenciar Djokovic, abriu espaço para um novo herói, que teve o nome, Viktor, gritado pelas arquibancadas. "É o momento mais inacreditável da minha vida. Não sei como reagir, o que fazer. É o melhor momento na minha vida", disse o tenista. A comemoração foi marcada pela festa e o cumprimento de uma promessa. Todos os jogadores levantaram a taça, uma "saladeira de prata", com as cabeças devidamente raspadas. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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