Vitória de Alonso esquenta a disputa

Piloto da Ferrari é o primeiro a conseguir derrubar o domínio da Red Bull. O líder Vettel chegou na 2ª posição

Livio Oricchio / SILVERSTONE, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2011 | 00h00

Nem nos seus sonhos mais fantasiosos Fernando Alonso imaginou vencer o GP da Grã-Bretanha, feudo dos projetos de Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull, com uma vantagem de 16 segundos sobre Sebastian Vettel e Mark Webber. Mas foi o que aconteceu ontem, na emocionante corrida de Silverstone, diante de 120 mil entusiasmados torcedores. Sim: a Ferrari ganhou da Red Bull na sua casa.

"A Ferrari venceu pela primeira vez na Fórmula 1 aqui, há 60 anos. Essa vitória tem forte carga emotiva. E para nós é um enorme estímulo para continuarmos trabalhando", disse o fenomenal piloto espanhol. "Não penso em campeonato. A vantagem de Sebastian (Vettel) é enorme. Mas vamos lutar etapa a etapa até o fim, como fizemos no ano passado." O atual campeão do mundo, Vettel, soma, depois de nove provas, 204 pontos diante de 124 de Webber e 112 de Alonso. Restam dez para o encerramento do calendário.

O ocorrido ontem, na Inglaterra, resgata o GP do Brasil de 1989, quando Nigel Mansell, da equipe italiana, venceu a prova em Jacarepaguá e o então diretor esportivo da Ferrari, Cesare Fiorio, afirmou: "Agora precisamos estudar os dados de que dispomos para entender por qual razão fomos tão eficientes".

Nos testes antes da temporada de 1989, o carro da Ferrari não deu 20 voltas sem seu câmbio revolucionário, atrás do volante, quebrar. E este ano, a Ferrari foi mais lenta que a Red Bull em todas as etapas. Mas, no circuito mais favorável para Vettel e Webber, ambos viram Alonso vencer. O resultado sugere estar diretamente ligado à proibição do escapamento aerodinâmico, recurso que a Red Bull explora melhor que todos os times, imposto para vigorar no fim de semana. Existe a possibilidade de voltar a ser admitido já a partir do GP da Alemanha, dia 24.

Outro fator que colaborou para a vitória da Ferrari foi os pilotos começarem a corrida com pneus intermediários por causa da chuva antes da largada. Não foi preciso adotar pneus de pista seca, o calcanhar de Aquiles da equipe italiana.

Lewis Hamilton, da McLaren, quarto colocado no fim, manteve atrás de si Vettel da 28.ª à 37.ª volta, depois de o alemão perder a liderança nos boxes da Red Bull por causa de problemas na fixação do pneu traseiro esquerdo. "Perdi um segundo por volta atrás de Lewis. No total, foram nove segundos. E mais uns oito a mais do normal no pit stop", explicou o alemão, que também reconheceu, humilde: "Hoje a Ferrari tinha um carro mais rápido que o nosso em parte da prova." Para não expor o ponto fraco da Red Bull, comentou sobre a perda do escapamento aerodinâmico: "Perdemos um pouco de desempenho, mas não foi por isso que perdemos a corrida." Provavelmente não é a verdade.

É inegável que as modificações introduzidas no modelo 150 Italia o tornaram bem mais rápido e constante. "Passamos a ser bem mais rápidos", explicou Felipe Massa, companheiro de Alonso, quinto colocado. Na linha de chegada, lutou com Hamilton pelo quarto lugar, dentre tantas batalhas que a bela corrida de Silverstone apresentou. O inglês da McLaren recebeu a bandeirada 24 milésimos de segundo na frente.

Hamilton lamentou o erro de cálculo de consumo da McLaren. Sem o escapamento aerodinâmico, imaginou que o motor Mercedes consumiria bem menos gasolina. Descobriram que não é bem assim. "Não pude usar toda minha potência na parte final da corrida", disse o ídolo local.

Outro destaque do GP foi o mexicano Sergio Perez, de 21 anos, da Sauber, que largou em 12.º, realizou dois pit stops diante de três da maioria e acabou em sétimo. Rubens Barrichello, da Williams, classificou-se em 13.º.

ACELERADAS

Ordem ignorada

Mark Webber, com os pneus em melhor estado, tentou nas voltas finais ultrapassar o companheiro de Red Bull, Sebastian Vettel, para ser 2º. Mas ouviu pelo rádio que deveria ficar onde estava. "Não gostei e ignorei a ordem."

Intervenção confirmada

O diretor da Red Bull, Christian Horner, ao contrário do ano passado, quando não interveio das disputas, confirmou a ordem: "Não haveria sentido correr aquele risco no fim." Disse não ter gostado da reação de Webber.

"Vamos ter uma conversa."

Massa lamenta

Felipe Massa explicou parte da diferença de desempenho para Fernando Alonso. "No começo passei sobre detritos que danificaram meu carro." Lamentou também ter sido chamado tarde para o último pit stop. "Talvez desse para ser quarto."

Mais um toque

Na luta com Lewis Hamilton pelo quarto lugar, nas duas últimas curvas antes da bandeirada, Felipe Massa e o inglês se tocaram. "Fiz a última curva por fora e ele por dentro, já na frente dele. Mas tracionei menos. Lewis não fez nada de errado."

Sem sorte em casa

Jenson Button, da McLaren, manteve o tabu de não ir bem em Silverstone. "É decepcionante, podia ir ao pódio, espero não passar novamente por isso, mas todos nós erramos." Na 40.ª volta, o liberaram dos boxes antes da fixação da roda dianteira direita.

Espanhol surpreende

Jaime Alguersuari de novo realizou belo trabalho e mudou seu conceito na Toro Rosso. Pela terceira vez seguida marcou pontos. Foi décimo depois de largar em 18º. "No começo não podia exigir tudo para economizar os pneus". Fez dois pit stops apenas.

Schumacher frustrado

"Quinta ou quarta colocação" era a colocação possível para Michael Schumacher, da Mercedes, segundo ele próprio. Mas houve um toque em Kamui Kobayashi, da Sauber, que lhe custou um stop and go de dez segundos. Foi apenas o 9º.

Viagem no tempo

Fernando Alonso pilotou antes da largada a mesma Ferrari 375 conduzida pelo argentino Froilan Gonzales na primeira vitória da equipe em Silverstone, em 1951.

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