Vitória de Vettel reabre o campeonato

A seis etapas do fim da temporada, disputa fica mais acirrada e Alonso terá de brigar por pontos para se manter no topo

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h08

A vitória de Sebastian Vettel, da Red Bull, ontem no GP de Cingapura, levou Fernando Alonso, Ferrari, terceiro colocado, ainda líder do campeonato, a fazer contas: "Temos de evoluir rapidamente o carro. Assim não vai dar para manter o primeiro lugar até o fim". Restam seis etapas para o encerramento da temporada. McLaren, segunda ontem com Jenson Button, e Red Bull estão mais velozes que a Ferrari.

O alemão bicampeão do mundo está a 29 pontos de Alonso (194 a 165). A história pode se repetir: em 2010, Vettel arrancou nas provas finais para conquistar seu primeiro título. E poucos circuitos parecem ser tão favoráveis ao carro da Red Bull como o da próxima corrida o GP do Japão, dia 7, vencido por Vettel em 2009 e 2010.

Alonso contou com a sorte, ontem. Lewis Hamilton, da McLaren, largou na pole position e, enquanto esteve na corrida, manteve-se na ponta sem adversários para desafiá-lo. Abandonou na 22.ª volta (de um total de 61), em razão da quebra do câmbio. A provável vitória do piloto inglês e a consequente ausência de Alonso do pódio deixaria o campeão do mundo de 2008 em excelentes condições de lutar com o espanhol.

O que está fazendo a diferença e justifica Alonso ser primeiro na classificação é o fato de ele, com brilhantismo, conquistar sempre o máximo de pontos possíveis, como ontem. Mas nem sempre poderá contar com a sorte. Depois do GP da Alemanha tinha 44 pontos de vantagem para Vettel e 62 para Hamilton - e o modelo F2012 da Ferrari, àquela altura, não estava tão para trás do usado por Hamilton e Vettel.

Como de costume, Alonso nunca deixa os concorrentes sentirem que algo o afetou: "Temos quatro ou cinco candidatos ao título e só somei menos pontos que um, dos demais ganhamos. Com um carro que não é rápido deixar três ou quatro para trás foi bom". Hamilton, Kimi Raikkonen, da Lotus, sexto ontem, e Mark Webber, Red Bull, décimo, somaram menos pontos que o piloto da Ferrari.

Vettel, feliz com a 23.ª vitória na carreira, igualando-se, aos 25 anos, a Nelson Piquet, reconheceu, ontem, que não teria como vencer Hamilton não fosse o seu problema. "Não tínhamos a mesma velocidade de Lewis", afirmou. A McLaren vinha de três vitórias seguidas, Hungria, Bélgica e Monza, pistas de características bem distintas, o que atesta sua extraordinária evolução.

Hamilton lembrou o fato ontem para explicar seu otimismo. "É difícil aceitar a perda de 25 pontos. Mas nosso carro nos permite lutar pelas vitórias e não vou desistir." Antes do GP de Cingapura o inglês era o vice-líder, 37 pontos atrás de Alonso. Agora é apenas o quarto, 52 atrás (194 a 142). Na etapa anterior, foi a vez de Button abandonar com falha no sistema de alimentação de combustível da McLaren. Apesar do bom segundo lugar, ontem, Button está longe na classificação, sexto, com 119 pontos.

Diante da vantagem técnica de McLaren e Red Bull, a 14.ª prova do Mundial teve Hamilton como líder e depois Vettel. Mas pelas demais colocações a luta foi voraz. Os pneus supermacios e os macios levados pela Pirelli a Cingapura permitiram estratégias distintas, oferecendo mais emoção à corrida. Alonso e Pastor Maldonado, da Williams, disputaram duramente o terceiro lugar, na metade da prova. O venezuelano abandonou com pane hidráulica.

Quem optou por três paradas, diferentemente dos primeiros, com duas, a exemplo de Webber, Felipe Massa, Ferrari, e Bruno Senna, Williams, tinha de ultrapassar logo os adversários. Assim, a cada volta havia ultrapassagem na pista. Massa e Bruno compensaram, ontem, com belíssimo desempenho o trabalho fraco do sábado, na classificação (leia abaixo). O momento de maior tensão ocorreu na 39.ª volta, na relargada do safety car, acionado por causa de Narain Karthikeyan, da HRT, ter colidido na barreira de proteção.

Schumacher. Michael Schumacher, da Mercedes, provavelmente com os freios frios, travou as rodas e bateu com violência na traseira da Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. O francês aceitou a desculpa do alemão, que foi penalizado em 10 posições na próxima largada, no Japão. Em 2011, Schumacher também cometeu um erro na prova ao chocar-se em alta velocidade com a Sauber de Sergio Perez. O escocês Paul Di Resta, cotado para substituir Schumacher, se o alemão decidir parar, obteve excelente quarto lugar e o companheiro do alemão, Nico Rosberg, o quinto.

Nos próximos dias, enquanto a Ferrari vai tentar realizar um trabalho melhor que o de McLaren e Red Bull para permitir a Alonso tentar manter-se na liderança, o mercado de pilotos da Fórmula 1 estará hiperativo. É possível que em Suzuka já haja novidades. Todos aguardam a decisão de Schumacher e se o companheiro de Alonso seguirá sendo Massa ou outro piloto para então as peças se mexerem.

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