Vitória do futebol coletivo de Messi

Argentino levou a melhor contra o individualista Cristiano Ronaldo

, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

A disputa individual mais esperada da final da Copa dos Campeões foi decidida pelo senso coletivo de Lionel Messi, do Barcelona. Em uma atuação que pode ter encaminhado a condição de melhor do mundo na temporada, o argentino ofuscou o atual detentor do posto, o português Cristiano Ronaldo, do Manchester United. Antes mesmo de completar 22 anos, daqui a um mês, Messi consolida-se, definitivamente, como craque. "Essa foi uma temporada perfeita para mim e para a equipe. Não poderia ser melhor", disse o argentino. "Esse é o triunfo mais importante de minha vida." Quem esperava um show de dribles e um festival de zagueiros enfileirados viu prevalecer a técnica e o senso tático do camisa 10 do Barça. Além da boa apresentação, "La Pulga" marcou o segundo gol da equipe e terminou a competição como artilheiro, com nove.Messi e Cristiano Ronaldo não tiveram espaço para grandes arrancadas. O craque argentino, porém, soube lidar melhor com a marcação. Poucas vezes prendeu a bola por mais do que dois toques e apostou nas tabelas rápidas, principalmente com Iniesta e Xavi. O português manteve seu estilo individualista e, neutralizado, teve um aproveitamento pior com as bolas nos pés. No começo, ainda desperdiçou duas boas chances que poderiam ter mudado a história da partida.A eficiente postura tática de Messi foi premiada com um gol que não costuma fazer parte de seu repertório. Com 1,70 m, o camisa 10 do Barcelona se esticou todo para marcar de cabeça o gol que selou o título, subindo sozinho, atrás dos grandalhões defensores ingleses. O gol encerrou uma temporada sensacional de Messi, que começou com a conquista da medalha olímpica com a Argentina nos Jogos de Pequim, em agosto. No Barça, conquistou a chamada tríplice coroa - Campeonato Espanhol, Copa do Rey e Copa dos Campeões. A atuação apagada no jogo de ontem comprometeu as chances de Cristiano Ronaldo de entrar esse ano para o seleto grupo do eleitos mais de uma vez como melhor do mundo - apenas Ronaldo, Zidane e Ronaldinho Gaúcho conseguiram o feito. Nessa temporada, no entanto, teve atuações decisivas. Marcou um golaço contra o Porto nas quartas de final e foi peça-chave para eliminar o Arsenal, na semi. Na final em Roma, porém, não conseguiu mostrar sua habilidade, rapidez e poderoso chute. Pelo contrário, quase prejudicou o clube inglês com seu descontrole emocional. Impaciente com a marcação de perto do capitão catalão Puyol, quase foi expulso a 15 minutos do fim, quando agrediu o espanhol em um lance perdido na linha de fundo.A escolha do melhor do mundo ocorre só em dezembro, mas os últimos premiados são um bom indício. O prêmio costuma ir para atletas que atuam no campeão europeu - em 2007, Kaká no Milan e, em 2008, Cristiano Ronaldo, no Manchester.

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