Vitória fácil, mas futebol sem brilho

Santos mostra força ofensiva, com Neymar, Ganso e Borges, mas fica devendo no meio e na defesa contra Kashiwa

LUÍS AUGUSTO MONACO / TOYOTA ENVIADO ESPECIAL , O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h05

A apresentação de estreia do Santos no Mundial começou bem, dando a sensação de que a vitória sobre o Kashiwa Reysol viria sem dificuldade, mas terminou deixando preocupações para a final de domingo, provavelmente contra o Barcelona. Apesar do placar de 3 a 1, se não corrigir alguns erros apresentados ontem, será quase impossível fazer frente ao implacável time espanhol, que estreia hoje contra o Al-Sadd, campeão asiático.

Na véspera do jogo, o técnico Nelsinho Baptista tinha elogiado a força ofensiva do Santos e deixado no ar dúvidas sobre a segurança da defesa. E o que se viu em campo confirmou o diagnóstico do treinador do Kashiwa. Ganso e Neymar colocaram em apuros o time japonês com seus dribles e passes, mas, atrás, a coisa foi feia.

Durval foi atropelado pelo lateral Sakai, e deixou claro que não tem velocidade para acompanhar jogadores velozes. O Barça tem em Daniel Alves um grande trunfo ofensivo, sem falar que conta com atacantes que sabem jogar abertos.

O miolo de zaga também não convenceu. Edu Dracena e, principalmente, Bruno Rodrigo, erraram várias vezes na saída de bola e viram Sakai subir à vontade para marcar de cabeça.

Também ficou claro que Henrique precisa comer muito arroz e feijão para proteger os centrais, como fazia o Adriano, fora do time por causa de uma cirurgia no joelho.

O bom é que, mesmo num jogo em que a defesa esteve um desastre, como ontem, o Santos sempre pode contar com o talento de seus craques. Neymar e Ganso chamaram a responsabilidade e iluminaram o campo com suas jogadas de puro talento.

Os primeiros 20 minutos foram de Neymar. Elétrico, incisivo, ele partia para cima dos japoneses e passava com facilidade. Só era parado com faltas. E, aos 19 minutos, abriu o placar com um gol antológico: corte seco no zagueiro e tapa de canhota no ângulo direito.

Logo em seguida Borges fez 2 a 0, e parecia que a vitória estava no bolso. Mas, no segundo tempo, o jogo mudou.

O Kashiwa, que tinha voltado do intervalo com um terceiro atacante, se animou depois que Sakai marcou de cabeça, aos 8 minutos, após cobrança de escanteio, e passou a explorar as subidas do lateral-direito.

O Santos perdia a bola rapidamente, e só conseguia respirar quando ela caía no pé de Ganso. Aí, o maestro ditava um ritmo mais lento e encontrava espaços vazios para endereçar seus passes precisos.

Quando o jogo começava a ficar perigoso, Danilo marcou de falta, aos 18 minutos, e acalmou o time.

A tranquilidade voltou, mas o futebol, não. Durval continuava sem achar Sakai e os cruzamentos quase sempre levavam perigo ao goleiro Rafael.

Houve bola na trave, gol perdido a dois passos da linha e muita discussão entre os defensores santistas para tentar entender o que estava acontecendo. A sorte é que do outro lado estavam Tanaka, Kudo e Sawa, e não Messi e companhia.

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