Vitória fenomenal

Na tarde de despedida de Ronaldo, no Pacaembu, Corinthians deita e rola para cima do Santos, [br]vence por 3 a 1 e já encosta na liderança

Fábio Hecico, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

Neymar queria estragar a homenagem de despedida de Ronaldo. Prometeu "uns gols" e falou em dar a "vitória ao Santos". O garoto prodígio santista, apontado como maior candidato à sucessão do eterno camisa 9, contudo, mais apareceu pelas trancinhas do que pelo futebol, anulado pela forte marcação corintiana. No campo, a festa iniciada às 15h30 com a entrada em campo do Fenômeno, foi completa com a vitória por 3 a 1 e gritos de "olé" nos minutos finais do clássico.

Pelo terceiro confronto seguido o Corinthians ganha do Santos - marcando 10 gols na série - e agora é o único invicto do Campeonato Paulista. Tite, ainda sob desconfiança pela queda na pré-Libertadores, soma a quarta vitória em quatro clássicos, recuperando pontos com a torcida. Liedson, contratado para suprir a ausência de Ronaldo, mais uma vez deixou sua marca (cinco em quatro jogos), no melhor estilo Fenômeno: repetindo a cobertura do camisa 9 contra os rivais, na decisão do Estadual de 2009, em plena Vila Belmiro.

"O Santos é meu freguês, né, já são cinco duelos (dois defendendo o Santo André) e quatro vitórias seguidas", provocou Bruno César. "Voltei num dia bom, o time jogou muito bem, fez excelente partida." O meia não atuava havia cinco partidas, após se indispor com Ronaldo e o técnico Tite. Ontem, entrou aos 31 minutos da etapa final, no lugar de Dentinho. Nos poucos minutos em campo, ajudou o time a segurar o ataque do Santos, que àquela altura perdia por 2 a 1, e ainda viu Liedson, em arrancada aos 41, fechar o triunfo com pintura: a cavadinha encobriu Rafael.

O belo gol podia eleger Liedson como o craque do clássico. Mas, numa tarde na qual a garra corintiana, aliada à técnica, prevaleceu diante de um dos mais temidos ataques do País, seria injustiça apontar quem foi melhor. Jorge Henrique teve atuação de gigante, assim como a dupla de zaga formada por Wallace e Leandro Castán, auxiliada muito bem por Ralf. E os dois gols do então reserva Fábio Santos?

Com novidades na escalação, ousada, Tite conseguiu surpreender o seu antecessor Adilson Batista. Ao tirar Ramirez, Danilo e Marcelo Oliveira, optando por Morais, Dentinho e Fábio Santos, o treinador conseguiu dar mais velocidade na ligação das jogadas meio/ataque.

O Corinthians dominou a primeira etapa, assustou bastante o goleiro Rafael e conseguiu neutralizar Neymar, uma das melhores opções santistas ao lado de Elano, autor do gol do time da Vila Belmiro. Aliás, outro golaço no saboroso clássico de ontem.

Todo-poderoso. Os jogadores do Corinthians entraram em campo dispostos a não manchar a festa de Ronaldo. A ordem era honrar o número 9 que carregavam às costas em homenagem ao amigo. Com "sangue nos olhos", não davam espaço para Neymar e dividiam todas as bolas, como se disputassem uma decisão de título. Para se ver a superioridade em campo, só aos 33 minutos o Santos criou um lance de perigo. O chute de virada de Diogo passou por cima.

Naquele momento, Neymar, apontado como possível destaque da partida, já havia levado um chapéu de Ralf e chutado, irritado, a placa de publicidade por ter visto o lateral Fábio Santos, em cobrança perfeita de falta, abrir o marcador. O Santos estava acuado. Mas Elano ainda empatou antes do intervalo.

O gol motivou o time da Vila, que voltou melhor na fase final. Mas não se pode dar espaços ao Corinthians. O Santos deu e pagou caro: Fábio Santos, de pênalti, e Liedson fecharam a conta.

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