Vitória interina?

Duas vitórias sobre o Cruzeiro, em maio, deram ao São Paulo o favoritismo diante do Internacional nas semifinais da Taça Libertadores. O time finalmente parecia retomar o futebol extraviado de todos os seus compartimentos. Fernandão necessitou de pouco tempo para mostrar entrosamento, principalmente na preparação das jogadas para os novos companheiros. Havia um clima especial, a recuperação de um ambiente vencedor.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

Durou pouco, ficou no tempo. Ontem, exatamente quatro meses depois, Sérgio Baresi mandou a campo, contra o Palmeiras, oito jogadores que participaram daquele jogo. Podem ser os mesmos nomes, mas na prática existe um São Paulo diferente, em pleno vestibular para treinador, a caminho de uma reformulação no grupo.

Mesmo nesse contexto, analisado e medido a cada resultado, Baresi conseguiu superar Felipão porque montou um meio de campo mais forte, com Rodrigo Souto próximo dos zagueiros, Richarlyson pelo setor esquerdo, além de Casemiro, Jean e Jorge Wagner.

Wilsinho, escalado para conduzir o São Paulo a partir da ala direita, saiu contundido aos 18 minutos de um fraquíssimo primeiro tempo, período em que cada equipe acertou apenas uma bola no alvo.

Então restou Lucas, ex-Marcelinho, a novidade no meio da crise, autor do primeiro gol e da jogada do segundo, marcado por Fernandão. Pode dar certo, mas desde que o jogo são-paulino passe por um time mais confiante e menos interino, como seu treinador.

Onde está o Palmeiras nessa história? Perdido, muito perdido. Felipão, expulso de campo mais uma vez, contribuiu para desviar a atenção de questões mais relevantes, como o futebol da equipe, por exemplo.

Está cada vez mais claro que o Campeonato Brasileiro 2010 servirá de peneira, apenas para definir quem serve e quem não serve para 2011. Valdivia, como você deve saber, ainda não aguenta um gato pelo rabo. Por ironia, hoje é dia do palmeirense.

Neymar. Tirá-lo de circulação por algum tempo é uma decisão corajosa. O empate com o Guarani mostrou um Santos sem nenhuma referência do time campeão paulista e da Copa do Brasil.

Com as saídas de Wesley, André e Robinho, cabe a Dorival Júnior reconstruir o Santos a partir dos talentos que ficaram. O clube se rendeu ao mercado, mas manteve a base, a origem do jogo espetacular.

A punição a Neymar acabou se transformando em um atentado ao futebol-arte. Tratado como profissional desde que largou as fraldas, cresceu numa bolha, ouvindo que é gênio.

E é realmente um jogador diferente da maioria. Seu talento possui algumas características do que se costuma definir como futebol moderno: habilidade em altíssima velocidade.

Isso não significa, porém, que possa fazer o que quiser, afinal ainda é parte de um grupo. Não há motivo para chilique porque um companheiro bateu um pênalti, está na hora de começar a crescer, não precisa levar a bola para casa nem tratar o treinador como se fosse um de seus marcadores.

Porque não pode ser punido? Ninguém melhor que Dorival Júnior para conhecer os problemas de seus comandados e o que se passa no vestiário. Depois da contusão de Paulo Henrique Ganso, Neymar viu sua responsabilidade dobrar. Não havia mais com quem dividir algumas das principais tarefas dentro de campo. Nem os passes do meia e amigo que só voltará a jogar no ano que vem.

O clube foi frágil ao lidar com o caso. O treinador, não. Não se trata de uma punição ao futebol, talvez seja apenas uma maneira de preservá-lo, de colocá-lo no rumo certo, dos verdadeiros craques. Já temos malabaristas demais que não deram certo. Ou alguém acredita que o Chelsea, que pretendia contratá-lo, teria uma solução diferente para o caso?

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