Vitória para Dunga (e só pra ele)

Técnico coloca triunfo inédito no currículo, com o 1 a 0 sobre a Irlanda, em troca da chance de testar os olímpicos

Jamil Chade e Almir Leite, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2008 | 00h00

É muito raro, nesses amistosos contra adversários sabidamente inferiores, a seleção brasileira apresentar bom futebol. Ontem, em Dublin, na vitória por 1 a 0 sobre a Irlanda, a equipe até fez boa partida. Então, o teste, o primeiro de 2008, valeu? A rigor, não, graças a uma opção polêmica do técnico Dunga: com a preocupação maior de tentar ganhar o jogo, preferiu colocar em campo um time mais experiente e desperdiçou rara oportunidade de testar os jogadores com idade de ir à Olimpíada. Apesar de ter chamado 11 deles.Tudo bem que o Brasil jamais havia vencido a Irlanda em Dublin (perdeu por 1 a 0 em 1987 e empatou por 0 a 0 em 2004). Claro que resultado é importante no futebol. Mas que importância terá a vitória de ontem? E que importância prática teria uma derrota nessa altura?Só para comparar, a Argentina tem amistoso hoje com a Guatemala e o técnico Sergio Batista vai escalar a equipe que pretende levar a Pequim. Detalhe: os argentinos são os atuais campeões olímpicos.Dunga não pensa assim. Ainda tentando se afirmar como técnico da seleção, apesar de já tê-la dirigido por 25 vezes e ganho um título (a Copa América do ano passado), quer - e não nega isso - alcançar feitos que outros não atingiram. Até os menos importantes.Graças a isso, ontem, em Dublin, o único jogador com idade de ir a Pequim que ele escalou desde o início foi Diego. O ex-santista jogou até os 33 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por outro "olímpico??, Anderson. O meia jogou apenas 14 minutos - a partida foi até os 47. Aos 36, Lucas entrou no lugar de Josué; Rafael Sóbis "rendeu?? Luís Fabiano aos 37. Só. Os outros sete olímpicos limitaram-se a assistir à partida, tiritando de frio, no banco, ou fazendo inútil (do ponto de vista de jogar) aquecimento.Quem jogou, claro, não tem culpa da opção feita por Dunga - que ontem ficou nas tribunas, suspenso que estava por ter sido expulso por ofender o juiz do amistoso entre Brasil e México, no ano passado, e usou o telefone para se comunicar com Jorginho, que dirigiu a equipe no campo. E todos trataram de fazer sua parte. Demonstraram vontade. Bom toque de bola, paciência e jogadas pelas laterais (Leo Moura e Richarlyson saíram-se bem na estréia).Faltou apenas maior objetividade nas conclusões, embora Diego, Josué e Luís Fabiano tivessem boas chances. Mas foi Robinho desde o começo quem fez a diferença, a ponto de, logo aos 3 minutos, ter o nome gritado pelos milhares de brasileiros que foram ao Crock Park - torcedores que, antes do jogo, se emocionaram com a homenagem - foi respeitado um minuto de silêncio - aos jogadores do Manchester United mortos em 6 de fevereiro de 1958 num acidente aéreo no aeroporto de Munique.Com toques de classe, jogadas de efeito e vontade de buscar sempre o gol, ele se destacou. E foi premiado com o gol que deu a vitória ao Brasil, aos 21 do 2º tempo. Descolado pela esquerda, o atacante do Real Madrid recebeu de Diego, e teve visão e categoria para chutar a bola por entre as pernas do lateral Carlsley, tirando-a do alcance do goleiro.Robinho - que é nome certo entre os três com idade acima de 23 anos na Olimpíada -, assim, deu a Dunga a vitória que ele tanto queria. Mas a chance de observar jogadores que podem lhe ajudar a conquistar o ouro inédito em Pequim, o técnico não teve. Ele mesmo se recusou a tê-la.UATUAÇÕES BRASILJulio Cesar 7 SeguroLéo Moura 7 Marcou bem e apareceu com eficiência na frenteAlex 6,5 Firme e objetivoLuisão 5,5 Truculento e um pouco fora de ritmoRicharlyson 7 Boa estréia, apoiou bem pela esquerda Gilberto Silva 6,5 Discreto, ateve-se à marcaçãoJosué 7 Marcou bem, movimentou-se muito e apareceu na frente. Deu lugar a Lucas sem nota, que jogou apenas sete minutosJúlio Baptista 6,5 Não teve sucesso nas tabelas com Diego. Pode render bem maisDiego 8,5 O melhor do meio-campo, lembrou o ótimo futebol que mostrou no Santos, em 2003. Substituído por Anderson sem nota,que jogou poucoRobinho 9 Habilidoso, deu muito trabalho para os zagueiros. E foi premiado com o gol decisivoLuís Fabiano 7,5 Bem marcado, faltou um pouco de movimentação. Mas foi quem mais arriscou no ataque. Substituído por Rafael Sóbis sem notaIRLANDAFiel ao seu estilo, o time irlandês não abandonou a defesa. Com tanta retranca, o atacante Keane 4 quase não tocou na bola

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