Arquivo/AE
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Viúvas de atentado em 1972 pressionam o COI

Quarenta anos depois do ataque que matou 11 atletas de Israel em Munique, famílias querem uma homenagem oficial

Adriana Carranca, Enviada Especial, Londres, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h07

LONDRES - Ankie Spitzer estava com o marido quando ele e dez atletas da delegação israelense foram feitos reféns e depois mortos por um grupo terrorista palestino, o Setembro Negro, na Olimpíada de 1972. Ontem, quarenta anos depois, ela fez um último apelo ao Comitê Olímpico Internacional (COI), em Londres, para que preste homenagem às vítimas.

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A viúva entregou ao COI uma petição com 105 mil assinaturas por um minuto de silêncio durante a cerimônia de abertura dos Jogos, o que já havia sido descartado pelo presidente da entidade, Jacques Rogge.

Ao lado de outra viúva, Illana Romano, ela fará uma campanha para que o público presente na cerimônia de abertura se levante e fique em silêncio por um minuto à revelia da decisão do COI, caso a recusa seja mantida.

Rogge prestou homenagem aos 11 atletas em uma cerimônia na Vila Olímpica na segunda-feira, com a presença de Sebastian Coe, presidente do comitê organizador da Olimpíada de Londres, e o prefeito da cidade, Boris Johnson. Ankie diz que o ato foi feito para evitar mais críticas da comunidade internacional e acusa Rogge de discriminar judeus.

"Não queremos qualquer coisa, mas a coisa certa. Homenagens foram realizadas durante a cerimônia de abertura do Jogos no passado a atletas mortos em outras ocasiões, então, por que não agora? A cada evento nos dão uma desculpa diferente."

O argumento do COI é de que a Olimpíada não é palco para a política. A entidade, no entanto, teve de lidar com casos como a proibição, por parte do governo britânico, da presença dos presidentes da Síria, Bashar Assad, e do Zimbábue, Robert Mugabe.

"O atentado foi motivado por uma questão política, mas nós não somos políticos, somos viúvas das vítimas que eram parte da família olímpica", disse Ankie. O prefeito de Londres, Boris Johnson, inaugurou no domingo uma placa nas proximidades da Vila Olímpica em homenagem às vítimas. Para as família, nada disso é suficiente.

  

 

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