Viva a Justiça!

José é competente, cumpre rigorosamente o horário de trabalho e leva regularmente ideias novas para a chefia da empresa. Paulo não tem a mesma disciplina, falta com frequência e faz as tarefas de forma burocrática, esperando a hora de voltar para casa. No fim, Paulo ganha aumento salarial, acaba promovido pela direção da companhia e José não sai do lugar. O sentimento de inconformismo, claro, toma conta de José. Ele, então, começa a se perguntar se vale a pena o esforço e o sacrifício.

EDUARDO MALUF, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h05

Buscamos, diariamente, justiça. Queremos sempre recompensa por aquilo que fazemos. No esporte não deve ser diferente. O raciocínio dos bons dirigentes, treinadores e atletas é o mesmo. Eles vão atrás do retorno pelos investimentos, preparação adequada, comportamento correto e dedicação dobrada.

Hoje vejo muita gente dizer que o "Brasileirão por pontos corridos não tem graça, as últimas três rodadas não vão valer quase nada e o futebol perdeu a emoção, seu bem mais valioso, com esse sistema de disputa". Penso diferente. Com a fórmula implantada em 2003, mantivemos a atratividade da competição, aumentamos o número de jogos decisivos e passamos a premiar os melhores, de forma justa, sem correr o risco de, por um acidente, dar a taça a um franco atirador.

Se houve um fato indiscutível em 2012, foi, sem dúvida, a superioridade do Fluminense em relação aos adversários. O Atlético-MG, que lutou de perto com o time do Rio em boa parte da competição, perdeu fôlego, fez campanha pífia no segundo turno e hoje apenas o enxerga com uma luneta. Nada mais justo do que o Flu levar o troféu. Aliás, o jogo do título, contra o Palmeiras, foi pra lá de emocionante. E, neste fim de semana, será a hora da merecida festa com a torcida no Engenhão lotado.

Fico a imaginar que barbaridade seria a realização das partidas de quartas de final, se ainda estivéssemos no formato de mata-mata, como ocorria até 2002. O impecável Flu, primeiro colocado, teria de enfrentar o decepcionante Inter, oitavo, em dois jogos, para a definição do classificado para as semifinais.

Um duelo como esse seria um crime contra a eficiência, a organização e a competência de uma equipe estruturada e vitoriosa na temporada. Na classificação, o Inter está 25 pontos atrás do Flu, fez 15 gols a menos, sofreu oito a mais, venceu nove partidas a menos e perdeu sete a mais.

Não consigo ver cabimento numa disputa dessas. Em dois jogos, um lance fortuito pode pôr toda a campanha de 38 rodadas a perder. E os 25 pontos de diferença iriam para o ralo. Exatamente o que ocorreu com o tradicional Fortaleza na Série C, em que foi brilhante na fase de classificação e, no mata-mata, com uma derrota acabou eliminado.

As outras equipes é que devem seguir o exemplo do Tricolor carioca, rever o planejamento e montar um elenco qualificado para evitar que o campeonato acabe antes da hora. Os melhores e mais preparados têm de vencer sempre.

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