Vizinhos de obras do Pan reclamam de doenças e problemas

É cada vez mais difícil a rotina dos vizinhos das principais instalações esportivas dos Jogos Pan-Americanos do Rio. Além do som estridente de máquinas e equipamentos e do movimento ininterrupto de carretas, caminhões e tratores, nuvens de poeira e focos de mosquitos estão no dia-a-dia de quem mora, por exemplo, próximo ao Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, e ao Complexo do Autódromo. O resultado disso é previsível: crises alérgicas, problemas respiratórios e casos de dengue. ?Minha filha passou a ter uma tosse constante e a sofrer de rinite desde 2005?, contou a professora Márcia Manso da Silva, de 44 anos. Da varanda de sua casa, ela acompanha resignada o ritmo acelerado das obras do Engenhão. ?Por causa desse problema, o chão, as paredes e os móveis estão sempre empoeirados, a Lorena (de 6 anos) precisa mensalmente de uma vacina anti-alérgica, que custa R$ 75.? A menina também apresenta irritação nos olhos e já foi levada ao médico mais de uma vez por causa de sinusite. Nas imediações do Engenhão, Cristiane do Nascimento teve de providenciar a mudança de endereço de sua mãe, Gerli Alves, de 63 anos, que foi internada várias vezes em hospitais da zona norte com crises noturnas de bronquite. ?Tivemos de rescindir o contrato de aluguel dela. Hoje, mamãe está bem melhor. Do jeito que estava, temíamos o pior?, disse Cristiane, dona de uma casa na Rua José dos Reis, em frente ao portão principal do Engenhão. Os problemas de saúde decorrentes do estádio em construção afetam também os operários. O Portal Estadão ouviu o relato de pelo menos cinco deles que se disseram vítimas de dengue. Márcio Rodrigues, de 32 anos, ficou três dias em casa, em fevereiro, com ?dor quebra-ossos? forte e febre intensa, depois do diagnóstico. Teve mais sorte que Flaviano Silva, de 25 anos: ele trabalha no local há um ano e já contraiu a doença duas vezes. ?Tenho certeza que foi aqui (no Engenhão). Formavam-se poções debaixo das lajes e o mosquito se reproduzia ali.? Na Vila Autódromo, nome da comunidade que vive às margens da Lagoa de Jacarepaguá, as reclamações dos moradores não são muito diferentes. As obras do Parque Aquático Maria Lenk, no Complexo do Autódromo Internacional Nelson Piquet, deixaram rastros e despesas inesperadas. ?Levei minha filha (Letícia, de 4 anos) algumas vezes para o Hospital da Barra com crises de asma. Ela não tinha nada antes de começarem a levantar esse monte de concreto. E o preço dos remédios??, protestou Regina Maria Gonçalves, de 36 anos. Ela se recuperou recentemente de um quadro de dengue, mas não quis associar a doença ao canteiro de obras do parque.

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