V.Max recebe fita azul na Regata

O veleiro baiano V.Max/Nautos foi o fita azul - o primeiro a cruzar a linha de chegada - na primeira etapa da 3ª edição da Regata Eldorado/Brasilis. A disputa pela liderança contra o Quiricomba/Opportunity, da Escola Naval, do Rio de Janeiro, ficou dramática nas últimas 10 milhas. Depois de seis dias de navegação, o V.Max chegou nesta sexta-feira apenas 12 minutos à frente do barco da Marinha. Apesar de ter sido o fita azul na primeira metade do percurso, Vitória-Trindade-Vitória, o V.Max está longe do recorde da prova, estabelecido em 2001 pelo veleiro paulista Touché/Sagra, com 181h49m."Para superarmos o Touché, teríamos que fazer o trajeto de volta em dois dias, o que é praticamente impossível", estimou o chinês Kan Chuh, comandante do V.Max. O tempo de regata da tripulação baiana já é de 133h28m, o que deverá manter o troféu transitório de recordista com o Touché, que neste ano não participa da regata. Cada veleiro da Eldorado/Brasilis tem a autorização da Marinha para permanecer fundeado em Trindade por um período de até 48 horas. Durante esse intervalo, o cronômetro é zerado e volta a ser disparado na relargada de cada embarcação.Duelo - A intenção dos comandantes do V.Max e do Quiricomba, Diamantino Rangel, era de relargar para a segunda metade da prova neste sábado à sábado. "Estamos pensando em iniciar a volta para Vitória em um horário próximo ao do Quiricomba. Quem sabe agente faz esse duelo na chegada ao Espírito Santo", disse Kan Chuh, sentindo-se recompensado pelo esforço de seis dias de contra-vento ao contemplar no amanhecer a bela e misteriosa Ilha da Trindade.No início da tarde desta sexta-feira, as tripulações do rebocador Triunfo e dos veleiros V.Max e Quiricomba acompanharam outra chegada no estilo "match-race" - disputa entre apenas dois barcos. O Corumii/Forecast e o BL3/Alforria cruzaram a linha de chegada com uma diferença de 10 minutos.O comandante do terceiro colocado, o paulista Corumii, Luiz Ballarin demonstrava cansaço. "Avistamos a luz de navegação do Alforria durante a madrugada. Eu estava no leme e continuei até o final. Foram quase 11 horas de pura emoção". Enquanto Ballarin falava sobre o duelo, via rádio, com o Triunfo, o comandante do Alforria, Pedro Rodrigues, cruzava a linha de chegada e também entrava à fonia. "Tive a sensação de que estava disputando uma regata barla-sota (pequeno trajeto) em Ilhabela. Parabéns ao pessoal do Corumii", destacou Rodrigues, que também é instrutor de vela da Escola BL3 de Ilhabela.O veleiro paulista Mar sem Fim/Nera, quinto colocado no tempo real, também teve o privilégio de chegar á Trindade à luz do dia. "É fantástico acompanhar a variedades de cores da ilha, enquanto se veleja ao seu redor. É uma beleza indescritível", disse extasiado, o comandante do Mar sem Fim, João Lara Mesquita que também estava orgulhoso com o desempenho de seu barco. "É uma honra para nós, chegarmos apenas 1h50m depois de um veleiro como o Alforria, que é muito mais veloz do que o nosso", completou Mesquita, que correu as 630 milhas -1.150 kms- da primeira metade da Eldorado/Brasilis em 148h37m.Trindade - A exótica ilha do Atlântico Sul é nesse momento a principal personagem da 3ª Eldorado/Brasilis. A pequena porção de terra de 13 quilômetros quadrados, encanta os tripulantes dos veleiros que se aproximam pela sua rara beleza, e ao mesmo tempo impõe respeito e até assusta, por causa da inóspita aparência. Constituída por rocha vulcânicas, tem o relevo extremamente acidentado, eternizando o formato das larvas provocadas por explosões que cessaram há mais de 15 mil anos. Temos a impressão de que a cada instante uma nova rocha rasga a superfície da ilha, que possui três picos a 600 metros de altitude.As cores da ilha variam tanto quanto o relevo. Próximo à superfície do mar existe uma rala vegetação, que aos poucos vai se mesclando com as rochas. Algumas são mais avermelhadas, a exemplo da cor do solo, outras cinzentas que no topo, tornam-se negras. Atualmente existe um plano para a restauração da flora, devastada no século XVIII pelos portugueses que confundiam as árvores nativas com o Pau-Brasil. A Marinha mantêm na ilha, uma base com 40 militares que se revezam a cada quatro meses. Quatro alojamentos brancos, de madeira, e uma pequena estação meteorológica são as únicas construções de Trindade.Chegou a ser tomada da mão dos portugueses pelos ingleses no século XIX, mas diplomaticamente, o Brasil a recuperou no início do século passado e por isso, em frente a casa do comandante da ilha lê-se uma placa: ?O direito vence a força?.

Agencia Estado,

25 de janeiro de 2002 | 17h05

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