Volantes tiram sono de Felipão

Sem Ramires e Paulinho, titulares diante da Inglaterra, treinador da seleção vai ter de recorrer aos novatos para armar o time que enfrentará a Itália

ALMIR LEITE , ENVIADO ESPECIAL / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h02

Luiz Felipe Scolari dá início hoje aos treinos da seleção brasileira para o amistoso de quinta-feira, contra a Itália, em Genebra, e vai começar a atacar o problema que considerou o principal da equipe na derrota para a Inglaterra, por 2 a 1, em fevereiro, que marcou sua reestreia no comando. O mau posicionamento e a características dos volantes.

Felipão quer uma dupla aguerrida e marcadora, mas também com alguma qualidade na saída de bola. E já começa com problema, pois perdeu dois jogadores da posição, Paulinho e Ramires, e só conta, a rigor, com novatos.

Sem a dupla que jogou, e não agradou contra os ingleses, o treinador terá de apelar para Fernando (Grêmio), Jean (Fluminense) ou Luiz Gustavo (Bayern de Munique) - os três têm poucas partidas pela seleção.

Fernando foi campeão mundial sub-20 com o Brasil em 2011, mas só teve uma convocação para a seleção principal, nos tempos de Mano Menezes, para o Superclássico das Américas. Jean teve duas convocações recentes, inclusive para o jogo com os ingleses. Luiz Gustavo é outro que só atuou uma vez pela seleção - derrota (3 a 2) para a Alemanha, em 2011. Hernanes, da Lazio, está no grupo e pode ser aproveitado no setor. Em relação aos outros três, é um veterano.

Ramires não se apresentou ontem porque sentiu dores na coxa direita. Conversou com o médico José Luiz Runco e ficou decidido que o volante fará tratamento no Chelsea, o seu clube, e se apresentará sábado em Londres para o segundo jogo dessa rápida excursão. Na segunda-feira, o Brasil enfrenta a Rússia.

Paulinho foi cortado no domingo, por causa de uma lesão na coxa esquerda. Coincidentemente, foram os dois jogadores que formaram a dupla de volantes contra a Inglaterra e que foi bastante criticada por Felipão. "Não gostei de várias coisas, uma delas foi o posicionamento do time e dos volantes", disse o treinador ainda em Wembley.

Desde aquele dia ele estava decidido a armar a equipe com pelo menos um volante marcador, isso se não utilizar os dois. Felipão também estuda deslocar o zagueiro David Luiz para a cabeça de área. O jogador tem atuado algumas vezes nessa posição no Chelsea e tem se saído bem.

Em 2002, quando a seleção foi campeã do mundo utilizando três zagueiros - Lúcio, Edmilson e Roque Júnior -, muitas vezes Edmilson atuou como volante.

O que parece certo é que o gremista Fernando vai ser um dos titulares, pelo menos contra a Itália. Felipão demonstrou ser fã do volante, por seu poder de marcação, ter bom passe, além de um chute poderoso. "É o jogador ideal", definiu o treinador. Proteger os zagueiros é prioritário na nova seleção. "Não quero meus zagueiros no mano a mano. Não vou deixá-los expostos."

Além de proteger os zagueiros, o técnico pretende dar mais segurança e cobertura aos laterais. Ele falou pouco do assunto, mas ficou bastante incomodado com o baile que Adriano, lateral do Barcelona, levou de Walcott contra a Inglaterra. Um dos motivos foi a falta de cobertura, tanto dos zagueiros como, principalmente, dos volantes.

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