Vôlei do Brasil é ouro

A pressão não vem só da quadra, do público, dos adversários. Vem da cabeça também, do técnico e dos atletas, que ouvem incessantes pedidos de medalha de ouro e se preocupam em não decepcionar. A Seleção Brasileira Masculina de Vôlei do técnico Bernardo Rezende saiu do País favorita e conseguiu se concentrar o suficiente para jogar - e muito - garantindo o ouro sobre a Itália, hoje, na final olímpica disputada em Faliro, com pouco mais de uma hora e meia: 25/15, 24/26, 25/20 e 25/22.Com isso, o Brasil superou a marca de 3 medalhas de ouro conseguida em Atlanta/96 e, com os 4 de Atenas, faz a melhor campanha da sua história olímpica. De volta à Vila Olímpica, o levantador Ricardinho contou pelo telefone que parecia estar entrando ali pela primeira vez, como se o tempo não tivesse passado e a Olimpíada, nem começado. Foi como sair de um transe: o trabalho do grupo foi tão intenso, de união e concentração, que somente depois do ouro o grupo conseguiria quebrar o feitiço tamanho conseguido pelo mago Bernardinho. Estava nos olhos dos jogadores brasileiros a disposição para vencer a final. Assim como estava o medo, por parte dos italianos. Os telões em alta definição, colocados nos locais de competição olímpicos, chegam a revelar a alma daqueles em disputa. Giba já vinha de dias inspirados, emocionados pelo nascimento da filha Nicoll, e andou jogando como nunca. Tanto que foi eleito o MVP (Most Valuable Player, ou jogador mais valioso) da Olimpíada - apesar de, sempre, todos os brasileiros destacarem o grupo, o conjunto, como responsável pela conquista - jamais valores individuais -, o ponto-chave da filosofia de Bernardinho. O Brasil fez de seu saque o mais forte possível, o "bombardeio" que poderia esperar dos adversários, principalmente do Leste Europeu. Foi essa força, aliada a uma boa regularidade, que desestabilizou os rivais. Hoje, por exemplo, a recepção italiana sofria tanto que dava tempo ao Brasil de armar seu bloqueio triplo em boa parte do jogo. Do outro lado, não funcionava assim. O Brasil conseguia pôr a bola nas mãos do levantador Ricardinho - com Escadinha, Dante ou Giba - e dali o ataque saía fulminante. Giba, por exemplo, esteve muito rápido. E de pronto Ricardinho percebeu que os italianos iriam marcá-lo e passou também a acionar o meio-de-rede, que se tornou quase a bola de segurança do time, principalmente com Gustavo, que conseguiu o absurdo aproveitamento de 100% em uma final olímpica. (Lembrando: nenhuma Seleção do mundo tem a versatilidade de ataque do Brasil - Ricardinho contou mais de 80 variações.) O técnico Gianpaolo Montali estava com cara de "vaca indo para o brejo" ainda no primeiro set. Potentes atacantes como Mastrangelo e Sartoretti eram parados no bloqueio ou erravam. O experiente Gianni não valia muita coisa. Colocar o veteraníssmo levantador Tófoli não adiantou de nada. Mas a Itália conseguiu ir se equilibrando, aos trancos, até ganhando o segundo set, quando os brasileiros perdiam um pouco da atenção, talvez por cansaço. Só que a disposição estava de um lado só, para a batalha final de quatro anos de trabalho. E o vôlei do Brasil conquistou seu segundo ouro olímpico.Bronze - Na disputa pela medalha de bronze do torneio masculino de vôlei, a Rússia foi melhor e venceu os Estados Unidos por 3 a 0. As parciais foram de 25/22, 27/25, 25/16.

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