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Vôlei: os russos estão chegando

A Rússia não tem importado apenas jogadores de futebol, como Vagner Love, negociado pelo Palmeiras com o CSKA. Também o vôlei masculino brasileiro, bicampeão olímpico, que já exporta craques em abundância para a Itália, começa a receber propostas de equipes russas. E elas não se limitam aos atletas de nível e salário médios. O atacante Giba, o melhor jogador da Olimpíada de Atenas, em 2004, que está na Itália, tem proposta da Rússia para a próxima temporada. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) tem tentado evitar a saída para o exterior de jogadores com menos de 23 anos, a partir de um acordo feito com os agentes.Giba, de 28 anos, um dos atletas mais valorizados do mundo - atualmente defende o Cuneo -, também tem propostas de equipes do Brasil, Itália, Grécia, Japão e Coréia. A de Porto Rico, que tem uma liga independente, já foi descartada. Teria sido sondado pelo Modena, assim como sua mulher, a romena Pirv, que poderá deixar o francês Cannes.A combinação de uma economia em franca recuperação e um campeonato interno fortalecido - com 14 equipes e o repatriamento dos jogadores da seleção que estavam espalhados pela Europa - leva os russos a buscar atletas no mercado internacional. "Na temporada passada, por exemplo, eles já fizeram propostas para o Murilo, que não foi porque não seria interessante para a carreira. Mas o Dínamo de Moscou e outros times importantes mostraram que têm interesse pelos jogadores mais caros, titulares da seleção", afirma o empresário Jorge Assef, que administra a carreira de Giba e de outros atletas da seleção brasileira.Os russos entram num mercado competitivo. Hoje, há cerca de 200 jogadores brasileiros de vôlei no exterior, a maioria na Itália, mercado que se abriu na temporada de 1997/1998, com a ida de Nalbert. Atualmente, jogam na Rússia o levantador Rapha e o atacante Manius, no Dínamo de Kazan, cidade a cerca de 500 quilômetros de Moscou. Além deles, o clube tem no seu time de futebol os brasileiros Roni, do Fluminense, e Aloísio, do Flamengo, todos vizinhos de porta no prédio onde vivem."Somos os únicos brasileiros na cidade e eles nos ajudam muito", afirma Rapha. O levantador, que atuava na Ulbra, de Canoas, tem como companheiros de time atletas russos importantes, como Fomin, Choulepov e Olikhver, que já atuou no Suzano e fala português.Para ser sedutora, uma proposta russa tem de superar as ofertas italianas. Afinal, os jogadores terão de enfrentar o frio, os longos deslocamentos durante o campeonato (o país é enorme), a barreira da língua... A entrada dos russos no mercado poderá elevar as ofertas italianas pelos jogadores brasileiros. Os clubes russos também têm boa infra-estrutura, como os do Brasil e os da Itália - alguns deles, como o Sysley Treviso, chegam ao requinte de possuir avião particular.A novidade da chegada das propostas russas ainda não permite analisar se serão mesmo compensadoras. De qualquer forma, não devem chegar ao pés das japonesas - há dois anos, chegaram a oferecer por Anderson, hoje no Piacenza, onde também está Escadinha, o dobro do que pagavam as equipes italianas de ponta. "Não sabemos ainda como será o comportamento do mercado porque isso ainda é recente", afirma Assef.

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