Vôlei pede psicóloga na China

Experiência no Grand Prix é aprovada por Zé Roberto e pelo time

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

16 Julho 2008 | 00h00

A seleção brasileira feminina de vôlei chegou ontem ao Brasil comemorando não só o título do Grand Prix como também o sucesso da iniciativa experimental de incluir uma psicóloga na comissão técnica. A presença de Samia Hallage no grupo foi tão benéfica que agora a idéia é conseguir levar a profissional para a Olimpíada de Pequim. O primeiro a reconhecer a importância da psicóloga no Grand Prix foi o técnico José Roberto Guimarães. "A participação dela foi fundamental, principalmente em uma jornada de 38 dias onde você tem muitas viagens, muitas trocas de avião e de concentração de hotéis", observa o treinador. Ele considera que a presença de Samia foi um ganho para a equipe - as jogadoras se identificaram com a mulher e a profissional. "Existe chance de que ela vá a Pequim e isso está sendo trabalhado." Para as atletas, ficou provada a importância da presença de uma mulher na comissão técnica. "A gente precisava disso porque às vezes é difícil para um homem entender a cabeça de mulher, principalmente nos períodos que elas enfrentam todo mês", diz a ponta Mari, que terminou o Grand Prix como a melhor jogadora da competição. "Ela está ali para ajudar com coisas como avisar ao Zé que não dá para pegar no pé de uma atleta porque ela não está legal ou dar uns toques sobre como falar com a gente nos diversos momentos", explica. "Isso ajudou muito." A oposto Sheilla concorda que a presença de Samia colaborou na conquista do Grand Prix. "Muitas jogadoras precisavam falar com alguém. Não precisa ser nem psicóloga, mas uma mulher na comissão técnica", observa. Segundo a levantadora e a capitã Fofão, ela se tornou uma intermediária entre Zé Roberto e as jogadoras por estar em contato com todos. "Acho importante ter essa ajuda." Samia acredita que sua adaptação na seleção foi relativamente fácil porque já conhecia várias atletas das categorias de base. Segundo ela, a idéia sempre foi ?somar? sua experiência ao trabalho desenvolvido pela comissão técnica de Zé Roberto antes de sua chegada, de fazer com que o time se mantivesse sempre focado. Entre as observações, Samia ressalta que a seleção é uma equipe guerreira. "Não tem nada a ver com aquela imagem do grupo que amarelava, mas eu já sabia disso porque trabalhei com algumas das atletas na base." A psicóloga admite, no entanto, que tal conceito - difundido após as derrotas em momentos decisivos do Mundial, da Olimpíada e do Pan - irritou as jogadoras por um bom tempo. "Mas todo mundo conseguiu passar por cima. Até porque elas são vitoriosas - ganharam muito mais do que perderam." Outro ponto positivo da seleção, segundo Samia, é a união. Zé Roberto Guimarães ressalta que o ambiente no grupo é um dos melhores que já encontrou e no discurso as jogadoras sempre procuram valorizar o trabalho das companheiras. "Eu fui eleita a melhor da competição porque as outras ajudaram. Se consegui é porque tinha uma para sacar, outra para levantar, outra para passar. Não fiz nada sozinha."

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