Volta de Holyfield, 46 anos, divide opiniões

Muitos especialistas não aprovam a idéia do americano de se manter em ação. No sábado, pega gigante russo

Wilson Baldini Jr., LAS VEGAS, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2008 | 00h00

A opinião do mundo do boxe está dividida quanto à realização do combate entre os pesos pesados Evander Holyfield e Nicolay Valuev, marcado para sábado, em Zurique, na Suíça, pelo título da Associação Mundial de Boxe. Para muitos, os 46 anos do norte-americano são um perigo diante do gigante russo de 2,13 metros e mais de 150 quilos. Outros acreditam que a idade não vai atrapalhar em nada a determinação, sempre marcante na carreira do ex-campeão unificado da principal categoria do boxe."Holyfield só esta em ação ainda porque não temos bons pesos pesados", disse ao Estado o jornalista Bert Sugar, em Las Vegas. Aos 72 anos, integrante do Hall da Fama do boxe, Sugar critica o desempenho dos irmãos Vitali e Wladimir Klitschko, atuais campeões. "Já os viu lutar? Duros, sem cintura. Lutam feio, não são atração em cima do ringue. A categoria dos pesos pesados precisa urgentemente de um novo grande campeão para limpar isso tudo."Angelo Dundee, técnico de Muhammad Ali e Sugar Ray Leonard, também não é a favor da continuidade da carreira de Holyfield. "Ele tem seu nome na história. Está correndo riscos desnecessários. Daqui a pouco poderei desafiá-lo", brincou o lendário treinador, de 87 anos, que orientou o brasileiro Adilson Maguila Rodrigues, em julho de 1989, exatamente contra Holyfield. "Espero que pelo menos o Maguila tenha parado. Parou?", perguntou, sempre bem-humorado.O ex-campeão mundial dos médios por mais de dez anos Bernardo Hopkins não vê problemas na continuidade da carreira de Holyfield, que se estende por quase 25 anos. "Ele tem os motivos dele para lutar. Todos sabemos que o boxe é um esporte duríssimo. Se ele tem vontade, por que não?", indagou Hopkins, de 43 anos, que também se mantém em ação. Sua última vitória foi diante de Kelly Pavlik, 15 anos mais novo, atual campeão dos supermédios, em 18 de outubro, em Atlantic City. "Pena que o cinturão não estava em jogo, mas vou buscá-lo ainda."RESPONSABILIDADE MÉDICA O empresário Bob Arum prefere não opinar. Segundo ele, os médicos que autorizaram o combate é que têm a responsabilidade, caso alguma problema físico ocorra após o duelo. "Não posso falar nada sem ver os relatórios médicos. Digo apenas que fui empresário de George Foreman, quando ele se sagrou campeão mundial em 1994, aos 45 anos." Arum também promoveu a luta entre Foreman e Holyfield, em 1991. Holyfield, então com 28 anos, sofreu para bater por pontos o veterano de 42. "O principal de tudo é manter a integridade física do atleta. Se estiverem cuidando disso, acho que não há problema."Holyfield vai tentar diante de Valuev ser campeão dos pesados pela quinta vez. Para muitos críticos, sua insistência em seguir lutando seria por problemas financeiros. O ex-campeão tem atrasado com freqüência o pagamento das pensões de alguns de seus nove filhos, que teve com cinco mulheres. A mansão, que custa só de impostos US$ 4 milhões por ano, seria outra dificuldade.

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