Volta de Schumacher já caminha para um fracasso

Tudo bem que até agora foram disputadas apenas quatro das 19 etapas do calendário e as coisas podem mudar significativamente até o GP de Abu Dabi, dia 14 de novembro, último do calendário. Mas quem é capaz de apostar que Michael Schumacher vai, por exemplo, a partir do GP da Espanha, dia 9, pilotar muito mais do que em Xangai, no domingo, quando seus adversários o ultrapassavam sem dificuldades? Ainda que seja cedo e duro de ser admitido, a verdade é que a sua volta à Fórmula 1 caminha para um grande fracasso.

Livio Oricchio, ENVIADO ESPECIAL / XANGAI, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

A referência para o que o alemão sete vezes campeão do mundo, hoje com 41 anos, realizou nas quatro etapas disputadas é seu companheiro de Mercedes, o também alemão Nico Rosberg, de 24 anos. Em todos os treinos classificatórios para o grid, bem como nas corridas de Bahrein, Austrália, Malásia e China, Rosberg foi sempre mais rápido. A classificação de ambos no campeonato expressa as enormes dificuldades de Schumacher no retorno à competição em que registrou os melhores números de todos os tempos. O filho de Keke Rosberg, campeão do mundo de 1982, com a Williams, é o vice líder do Mundial, com 50 pontos, 10 apenas atrás do 1.º colocado, o atual campeão, Jenson Button, da McLaren, com 60.

Schumacher aparece somente em 10.º, com 10 pontos. O pior é que torcedores e profissionais da F-1, em seu próprio time, estão começando a ver que o Schumacher versão 2010 talvez seja esse mesmo. Os três anos ausentes da Fórmula 1, o peso da idade, carros e pneus distintos, a proibição de treinos e a geração de jovens talentos existente, ao que parece, o deixaram para trás.

"Está tudo dentro do previsto", garantiu Schumacher. "Não imaginava mesmo obter resultados muito melhores do que os que venho conseguindo", afirmou em Xangai, sem convencer muito. A Fórmula 1 pode neste ano presenciar uma cena constrangedora: o piloto que já venceu 91 GPs celebrar como um estreante seu primeiro pódio, agora que está de volta ao Mundial.

Contrato revisto? "Na China demos importante passo no nosso desempenho, mas esperamos um salto grande mesmo em Barcelona", declarou Rosberg, depois do 3.º lugar. Se mesmo com os avanços da equipe, Schumacher não for outro piloto, Norbert Haug, diretor da Mercedes, passará a questionar a validade do investimento para tê-lo de volta. O contrato de três anos teria de ser revisto.

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