Paulo Favero/AE
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Voluntária brasileira participa da abertura da Olimpíada

Gabriela Arthur, 26 anos, vai dançar na cerimônia desta sexta-feira, que abre oficialmente os Jogos

Paulo Favero/Enviado Especial,

26 de julho de 2012 | 06h24

LONDRES - O Brasil terá alguns representantes na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Gabriela Arthur, 26 anos, vai dançar no evento que será realizado amanhã, no Parque Olímpico, em show que dá o pontapé inicial para os Jogos de Londres. A publicitária está há dois anos na cidade inglesa e faz mestrado em Gerenciamento de Marcas.

"Com certeza é emocionante estar lá. Mas sou apenas uma formiguinha no meio de 12 mil pessoas. Minha mãe até falou que iria tentar me ver pela televisão, mas vai ser impossível. Ela vai ficar procurando e não vai achar", conta.

Ela explica que existem outros brasileiros que vão participar e conta que até já desenhou a bandeira nacional no braço em um dos ensaios. Por um trabalho totalmente voluntário, ela teve de abdicar de seu tempo, principalmente nos finais de semana. Foram 25 ensaios desde abril até hoje. Geralmente, aos domingos pela manhã, das 9h às 14h.

Como recompensa, ganhava apenas o transporte, água, café e chá. "Sorte que eu moro em Leyton, um bairro próximo de onde eram os ensaios. Mas era bastante puxado e pensei várias vezes em desistir", diz.

Ela teve de assinar uma série de documentos de confidencialidade sobre como será a festa de abertura, mas muitas das coisas já foram divulgadas de alguma forma. Após Gabriela ter feito a inscrição, foi chamada e verificaram qual era sua melhor aptidão: dança estilo livre, dança com ritmo e coreografia, movimento coletivo e encenação teatral.

"Passei em dança, mas nunca tinha feito nada nesse sentido. Acho que é porque o brasileiro já tem um certo ritmo" afirma.

A garota nunca imaginou que poderia participar do principal show da Olimpíada. "Quando me inscrevi, queria ser até gandula, talvez em partidas de vôlei."

A cerimônia será dividida em quatro partes. A primeira é mais artística, com shows e performances. Depois tem o desfile dos atletas com suas bandeiras, seguido pelos discursos políticos. Ao final, ocorre o acendimento da tocha olímpica. No total, a festa terá trechos de 85 músicas. "Eu danço em cinco delas", revela.

A parte artística começará com performances que mostram uma fazenda e depois vai para o período da revolução industrial. Fala ainda do sistema público de saúde inglês e conta as influências musicais de cada década. Gabriela estará situada nos anos 80 e 90, quando a influência da música eletrônica foi grande.

Usará roupas do período e terá maquiagem especial. "O mais difícil é a entrada e saída do palco, tem muita gente para se movimentar em um pequeno espaço."

A brasileira conta ainda que já tem muito inglês dizendo que vai aprender português para participar da cerimônia de abertura dos Jogos de 2016, no Rio. É muito comum que algumas pessoas façam de tudo para participar de um momento desses e até existem veteranos destas festas, que costumam ir para todas as edições. "O pessoal sempre fala que vai estar no Rio, em 2016", conclui a menina, que chegou até a trabalhar em cafeterias e como garçonete em eventos.

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